11.7.09

Sábado dia 18 Conversa


A Precariedade. Conversa em torno da realidade local.

Actualmente, cerca de 40% dos trabalhadores portugueses são precários. Recibos-verde, contratados a prazo, inscritos em empresas de trabalho temporário, desempregados. Todos eles trabalham, inclusive aqueles que têm o trabalho de ter de arranjar trabalho. Todos eles são particularmente explorados.

O aumento da precariedade laboral tende a ser legitimada por todo um novo discurso ideológico em torno da questão do trabalho. Entre os múltiplos conceitos desta novilíngua laboral, destacamos o de capital humano. Para o capitalismo, o trabalhador constitui essencialmente um capital que se apresenta numa forma humana. Por um lado, são as suas capacidades de criação e imaginação que alimentam a máquina de produção: algo que é visível no profissional de marketing que inventa slogans publicitários, no trabalhador do telemarketing que usa as suas capacidades de sedução e retórica para vender um qualquer produto, no pedinte que produz uma determinada narrativa de forma a obter esmola. Algo que sempre existiu, mas que tende cada vez mais a ser potencializado, não para o nosso próprio bem, mas para o bem de uns poucos.

Por outro lado, capital. Porque, tal como uma acção da bolsa de valores, tem um valor de mercado, atribuído consoante as suas características: se for inteligente e comunicativo terá um valor elevado, se for feio e tímido terá um valor não tão elevado. À semelhança das acções da bolsa, o seu valor sofre alterações: assim, se o trabalhador feio e tímido se tornar comunicativo e bonito, se demonstrar capacidade de se alterar com base nos critérios da empresa, o seu valor de mercado aumentará. Na era do capital humano, o trabalhador é apresentado como sendo o único responsável pela sua própria situação. Se ganha mal, é porque não se esforça; se se queixa de tal situação, é porque não é pró-activo (outros dos novos conceitos em voga); se se sente cansado, é porque poderia ser mais dinâmico. Em suma, é porque não se capitaliza a si mesmo, algo que passa por servir os responsáveis pela definição dos ditames da sua capitalização.

Esta estratégia acontece a uma escala planetária. No caso da região alentejana, a população trabalhadora apresenta um “valor específico”: vive numa região fustigada pelo desemprego e encontra-se disposta a fazer tudo por tudo para conseguir rendimento. Se actualmente, muitos call centers se deslocalizam para zonas do interior (Beja, Castelo Branco) onde as taxas de desemprego são mais elevadas, é porque sabem que vão encontrar pessoas com poucas alternativas de escolha.

O objectivo desta conversa é tentar compreender os contornos deste processo, tendo como princípio a ideia de que o verdadeiro valor das pessoas nunca passou, não passa e jamais passará pelo trabalho que são obrigadas a desempenhar.

Próxima Quinta-feira dia 16


(Jantar) e conversa
"F.A.I. - Federação Anarquista Ibérica. A sua história, presente e futuro"
por volta das 21.00 no Club Aljustrelense

www.nodo50.org/fai-ifa/

Documentários em Montemor-o-Novo

« A 1ª Mostra Documental de Montemor-o-Novo pretende afirmar-se como uma plataforma de projecção e debate consciencioso feito a partir do documento Cinematográfico. Nesta primeira mostra convergem diferentes pontos de vista sobre o mundo, a partir de um leque diversificado de filmes que atravessam um período situado entre os anos 60 e a actualidade.

Um olhar exterior sobre a nossa cultura a partir de documentários como "Luta de Classes em Portugal" de Kramer realizador que dedicou parte da sua obra ao estudo da sociedade Portuguesa ou "Torre Bela" de Thomas Harlen sobre a ocupação da Herdade da Torre Bela no Ribatejo através de um acutilante olhar político sobre uma época, uma utopia e as suas contradições. Paralelamente a esta visão exterior sobre cultura Portuguesa uma outra de dentro para fora. Um olhar de realizadores Portugueses sobre o mundo onde se inclui um olhar profundo sobre Portugal, feito a partir de filmes como "Bab Sebta" de Frederico Lobo e Pedro Pinho, "Nhô Simplício" de Pedro Conceição, "Outside" de Sérgio Cruz, “Gosto de ti como és” e “Queria Ser” de Silvia Firmino, “Um Pouco Mais que o Indiana” de Daniel Blaufuks ou "Jumate Jumate" de Diogo Costa Amarante entre muitos outros...

“Uma câmara na mão, uma ideia na cabeça, uma história no coração"
Miguel littin »

http://www.montemordoc.com/

PROGRAMA

Quinta Feira (16 Julho):
21:00- Jumate Jumate | 35m
21:45- Os Respigadores e a Respigadora | 82m
23:15- Grandes Esperanças | 74m

Sexta Feira (17 Julho):
15:00- Queria Ser | 55m
16:00- Mulheres Traídas | 54m
17:00- Um pouco mais Pequeno que o Indiana | 78 m

17:30horas-Os Conceitos de Documentário, relativização e contexto histórico:
1º Painel
Documentarismo, sua história, tendências recentes.
O contexto português. O cinema documentário de vocação etnográfica e a sua ligação com a representação da cultura popular de matriz rural e a identidade nacional.
Cinematografia e Etnologia, o caso da Etno-ficção.
Orador: Catarina Alves Costa

19:00- Wolfram, a saliva do lobo | 45m
21:30-Mais Alma /Catarina Alves Costa – 70m
22:30-Orquestra Típica Fernandes Ferro | Parque Urbano (Programação em parceria com a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo)
00:00- Festa Oficinas do Convento com DJ Ride

Sábado (18 Julho):

15:00 - Torre Bela | 105m
17:00 - Cenas de luta de classes em Portugal | 90m

18:30 horas-REFLEXÕES SOBRE PORTUGAL. UMA VISÃO PROCESSUAL:
2º PAINEL
Contextos sócio-políticos do país no período situado entre os anos 60 e a actualidade.
Reflexos de um país em mudança.
Imagens de um país: o documentário etnográfico como reflexo de políticas e mudanças.
ORADOR: Maria Clara Saraiva

21:30 - Bab Sebta | 110 m
23: 30- Nhô Simplício | 68m
00:45 – Polar | Performance

Domingo (19 Julho):
15:00-Resultado do Workshop com Frederico Lobo e Tiago Afonso.
15:30-Cinema Volante Apresenta (resultado de workshop)
16:00-Traces Sonores d'une écoute engagée | 55m
17:00 -80000 Shots | 50m

18:45-MOVIMENTAÇÕES NA ESTRUTURA SOCIAL E ESPACIAL
3ºPAINEL
A cidade contestada: movimentos sociais e reestruturação do espaço urbano.
Experiência urbana e Bairros populares.
Relação entre as transformações sociais e os modos de concepção e elaboração do espaço.
ORADOR:Teresa Fradique

Noite:
21:30 -Gosto de Ti como És | 57m
22:30 Outside | 15m
23:00- Balaou | 77 m


Algumas escolhas....
"Grandes Esperanças" de Miguel Marques , produção Cine-Clube de Avanca.
Entrar nos meandros da burocracia é uma aventura q.b. cómica.
Grandes Esperanças dá-nos uma visão de conjunto e quase trágica dos processos de legitimação do indivíduo perante o Estado, mostrando como toda a nossa existência depende, do nascimento à morte, da Instituição que organiza a vida em sociedade e que aqui aparece na sua dimensão abstracta e coerciva.
E só lhe vemos a ponta do icebergue. (video 3)

"Torre Bela" de Thomas Harlan
No dia 23 de Abril de 1975, cinco semanas depois do golpe de 11 de Março e dois dias antes do aniversário da revolução 500 desempregados da região de Manique, no Ribatejo (ex-trabalhadores agrícolas, antigos imigrados que voltaram ao país, reincidentes, bêbedos, prisioneiros políticos libertados), juntam-se num movimento campesino e ocupam as quatro propriedades de Dom Manuel de Bragança, o Duque de Lafões. (videos 1 e 2)

"Cenas de luta de classes em Portugal"de Robert Kramer
Kramer foi um revolucionário americano que dedicou parte da sua vida a Portugal. O seu “Cenas de Luta de Classes em Portugal” (em conjunto com outro autor) é um dos marcos na filmografia sobre o PREC em Portugal. Acompanhando a evolução política do PREC em Portugal, o documentário só peca por falar apenas na esquerda em geral, optando por não evocar as inúmeras divergências de então.
Abarcando algumas das mais importantes movimentações em Portugal no período, especialmente no espaço urbano. Regista a questão do direito à habitação ou a questão dos tribunais populares em que as pessoas não se subjugavam à justiça dos fortes. O especial destaque vai para uma mulher, envelhecida pela vida dura que sempre teve, que o maior desejo era que os seus filhos não passassem pelas mesmas agruras. Kramer acompanha-a ao longo do PREC. No início, a militância, o entusiasmo e a esperança leva-a a muitas actividades para lutar pelos seus direitos. À medida que a correlação de forças se vai invertendo e as pressões para a normalização se acentuam, a esperança vai desvanecendo e é forçada a preocupar-se com as questões “práticas” da vida.
Kramer ficou inevitavelmente ligado a Portugal. No documentário “Um outro país” de Serge Treffaut, presta algumas das declarações mais comprometidas com as aspirações do PREC. Refere que então Portugal aparece na sucessão de uma série de países onde as atenções mundiais estavam viradas: Vietname, Chile, Portugal. Justifica a sua vinda pela revolução em acção e pelo desejo de participar nessa mudança. Acrescenta ainda que o a sua participação tem (diria eu naturalmente) bastante de egoísta por não querer viver num mundo como este: ele queria mudar o mundo também por ele. Perante a acusação que no período 1974-75 o país desbaratou as “riquezas acumuladas”, Kramer considera que, para um pais que se reinventava tentando concretizar sonhos novos e antigos, terá sido uma boa forma de gastar o dinheiro. Reflecte também sobre o consumismo que apodreceu a sociedade norte-americana, sendo interessante também questionarmos o que também tem feito com Portugal. »

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6.7.09

Sexta dia 10 no Club

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Dia 8 no Porto - Casa Viva

Dia 9 em Setúbal - KÿlaKancra

Dia 10 em Aljustrel - Club Aljustrelense

collectifmaryread.free.fr
www.myspace.com/lescreationsducrane
www.masquepalabras.org/collectifmaryread
www.entartetekunst.info
www.myspace.com/entartetekunstlabel

4.7.09

4 Noites 4 Filmes todas as 5º feiras... e Jantares


1.7.09

entrevista a Drowning Dog e DJ Malatesta

Uma Entrevista Com Entartete Kunst

Para muitos na cena radical da Bay Area, a partida de Entartete Kunst no final deste mês marcará a passagem de uma era. Para mim certamente.

EK é um selo anarquista de gestão colectiva que lançou e co-editou 20 discos e CDs nos últimos dez anos. Eles começaram produzindo peças e batidas predominantemente electrónicas, mas mais recentemente têm incorporado mais rap no seu repertório. Conheci Marco e Melissa (e outros da EK) pela primeira vez pouco depois de começar um programa de voluntariado com a AK Press (quase uma década atrás). Seu trabalho árduo, apoio generoso e gestos camaradas não vêm sendo suficientemente celebrados ao longo dos anos. Desejamos a eles o melhor. Se você estiver na Europa este verão, não deixe de pegar as datas da Tour deles [ALJUSTREL dia 10; SETUBAL dia 9 e PORTO dia 8].

Fale sobre o seu single mais recente, Mix Tapes and Cotton. Sobre o que é a faixa?

Drowning Dog:Mix Tapes and Cotton” é uma canção sobre racismo através dos olhos de uma criança. Quando eu era menino (na Flórida), a Ku Klux Klan incendiou uma cruz em nosso quintal, esfaqueou nosso cachorro e costumavam nos infernizar. Por isso é uma história pessoal. Ela diz que somos capazes de lidar com o racismo e o sexismo juntos como uma classe e que são as instituições — governos e corporações — que nos empurram isso, essa é a questão real. É uma canção sobre os trabalhadores pobres sem acesso à educação, mas com ilimitado acesso à lavagem cerebral podem canalizar sua raiva para atos estúpidos como queimar cruzes e falar aquele monte de merda e como nós (também trabalhadores pobres) podemos lidar com gente ignorante juntos. Mas quando as instituições (classe média e alta) usam ideais racistas e criam políticas que desumanizam e destroem vidas ou têm dinheiro e poder por trás dessas idéias aí fode tudo, fica perigoso, mortal (por exemplo, complexos industriais de prisão, militares, habitação, poluição, saúde etc.). É meio isso que diz.

Que acontece com a Entartete Kunst por esses tempos? Pode nos contar uma breve história da EK e o que estão tramando atualmente?

DJ Malatesta: Nós [Drowning Dog e Malatesta] estamos para começar uma excursão com umas trintas datas pela Europa Ocidental (a turnê Crunch The Creditors 2009), graças ao movimento anarquista e ao nosso trabalho duro pelos anos excursionando / construindo a solidariedade com umas pessoas / grupos / galeras etc. muito legais. E temos, como você mencionou um novo sete polegadas saindo agora, disponível pela AK Press e outras como NatterJack Press, London Class War, Les Creations Du Crane, Irregular Rhythm Asylum, e muitas outras.

Comecei esse grupo junto com dois amigos que não tiveram experiência nenhuma com anarquismo. Lançamos uma compilação de peças e batidas eletrônicas que tinha uns tons políticos, e ele passaram a criar vários outros projetos. Nesse ponto, comecei a trabalhar com muitos artistas e produtores DIY (faça-você-mesmo), principalmente na Bay Area, editando e compilando vinil e CDs e lançando-os sob o selo “Entartete Kunst” — tipicamente bandas, mas projetos solo também. Breaks, poesia, batidas doidas, ruído etc.

O nome “entartete kunst” significa “arte degenerada” em alemão. Tomamos o nome de uma exposição homônima usada pelo governo alemão dos anos 30 para tentar ridicularizar a arte radical. Usamos o nome porque somos conscientes que somos considerados degenerados por nossos chefes… de todos os tipos: políticos, financeiros, sociais.

Marcamos pelo menos sessenta shows na Bay Area durante aquele período para muitas bandas (incluindo nós mesmos) e fizemos uns vinte lançamentos desde 1999 — todos inteiramente financiados dos poucos dólares que sobravam nos contracheques de várias pessoas e dinheiro de drogas (risos), ocasionalmente pagando por um lançamento com o dinheiro de um anterior.

Não nos tornamos um coletivo até 2003. Por esse tempo, tínhamos muita certeza de que isso seria uma ferramenta de propaganda. Por um tempo, éramos em quatro fazendo todo o trabalho, depois em três. Sugeri que coletivizássemos. Passamos depois a organizar nossa primeira excursão européia (2003) e lançar o vinil 2 x 12 polegadas e o CD States Of Abuse (2004/5).

Nesse exato momento, são Drowning Dog e Malatesta (claro que isso pode mudar). Nós tocamos, gravamos, escrevemos e produzimos juntos. Lançamos nosso CD de estréia Got No Time CD (2007/8) e Mix Tapes and Cotton 7” (2009) juntos, e estamos planejando uma porção de lançamentos para a E.K. Inc.: um sete polegadas, johnny NO cash 7”, um lançamento em vinil e download de compositores de rap, multilingual, inspirado pelo ideário comunista-libertário e anarquista para 2010, e um novo lançamento de Drowning Dog assim como incontáveis outras colaborações e remixes.

DD: Got No Time é o CD de estréia do Drowning Dog!

O CD fala sobre como não temos tempo para as coisas realmente importantes na vida. Passamos a maior parte do tempo no trabalho, trabalhando pra caralho, tornando os outros ricos. E geralmente produzindo coisas que ninguém quer / precisa em nossa sociedade — muitos, muitos poucos de nós realmente poderão realizar plenamente seu potencial.

Por isso, Got No Time é na verdade um chamado para a eliminação de todos esses trabalhos de merda de que realmente não precisamos em nossa sociedade. Estou pronto para um dia de quatro horas numa semana de três dias (pra começar, porra).

E sobre o futuro? Vocês estão se mudando dos Estados Unidos e se radicando na Europa. Por quê?

DJM: O movimento é forte lá em comparação com o que rola por aqui, e com mais consciência de classe. Queremos trabalhar com muitas pessoas; infelizmente, tem um punhado só de grupos que se identificam com o que a gente faz ou mostram apoio à nossas políticas ou à nossa música. Mas há alguns… incluindo AK Press e Red Emmas.

As pessoas tomam menos antidepressivs na Europa… assim é melhor para contra-atracar.

DD: Pela pizza.

Entartete Kunst, e vocês como indivíduos é há algum tempo, parte do movimento anarquista na Bay Area. Pode nos falar um pouco sobre as coisas nas quais vocês têm estado envolvidos e que mudanças viram na Bay Area nos últimos anos?

DJM: Eu, por exemplo, tenho estado na maioria dos encontros anarquistas na Bay Area pelos últimos dez anos e, se tanto, eu o vi crescer (período do 9/11) e depois encolher (nos últimos dois anos), pelo menos no sentido do interesse do grande público. Há muitas razões pelas quais isso pode ter acontecido, mas pra ser bem honesto, acho que as pessoas que são as mais vocais na Bay Area são da classe errada e, portanto mantém as idéias firmes no seio de sua própria cultura. É o que eu penso. De um lado positivo, há alguns grupos que são meio que conscientes disso e começaram seus próprios grupos de trabalhadores, salvo engano — como o Modesto Anarchist Crew.

Vocês fizeram algumas excursões pela Europa agora e foram expostos a vários movimentos anarquistas no processo. Pode comparar e situar os contrastes de suas experiências com os anarquistas aqui e lá?

DJM: Se você é um anarquista comprometido, você é um anarquista comprometido. Eles lá têm circunstâncias diferentes: a mentalidade na Europa é muito mais comunista (num sentido anti-estatista) do que aqui e isso é importante, eu acho… embora não seja um nem o outro. Temos de ter consciência de que todos estamos conectados e que não podemos sobreviver sozinhos.

DD: Comparar e situar os contrastes, bom… Europa é diferente, nem melhor nem pior, mas diferente, tem um contexto diferente, lugar diferente, leis, história diferente. Sempre use o que tiver, quando puder, com o que se tem, onde estiver.

Podemos ir a esses espaços na Europa — centros sociais, squats, espaços de arte — na primeira leva de excursões me pareceu doido que aqueles espaços existissem: “Vocês têm centros sociais financiados pelo governo?!”

E a idéia de que você pode ocupar um lugar por anos e NÃO ter seus miolos estourados. Interessante pra caralho, não bem como a cultura / leis de propriedade americanas. Certo, nós podemos ocupar lugares nos States, mas não é o mesmo. É na maior parte em locações indesejáveis, fora do centro da cidade, aquela bosta de centro e geralmente não dura muito, não tem muito apoio da comunidade.

Infelizmente, se é que há, não há muito dinheiro colocado na cultura. A maior parte do dinheiro nos Estados Unidos vai para os militares e para a polícia. Financiar espaços para fomentar pensamento crítico ou questionamento criativo não está na lista de prioridades deles. Eles só precisam de mãos baratas para limpar a bosta deles. Educar pessoas e culturizar pessoas (acho que inventei essa palavra) pode causar problemas. Não pense. Cale a boca. Limpe a bosta. Ganhe dinheiro pra nós.

Isso não bem parte da pergunta que você fez, mas uma coisa eu acho importante e legal e é que é muito bom interligar todos os grupos que conhecemos nas viagens com outros que de outro modo jamais saberiam de sua existência. Porque vamos para países diferentes, somos capazes de conhecer tanta gente, galeras, grupos radicais, anarquistas legais. É tão importante que saibamos da existência uns dos outros porque sabe, tá ruim lá fora, sabe o que e quero dizer? Precisamos uns dos outros.

Que hip-hop vocês estão escutando atualmente?

DD: Collectif Mary Read, La K Bine, Comrade Malone, Mentenguerra, Microplatform, La Plataforma, The Edger, Beast, Keny Arcana, Kurzer Prozess, Direct Raption, Cuba Cabbal, Acero, Arapiata, Gente Strana Posse.

Quando a maioria das pessoas pensa em hip-hop eles certamente o associam com a política anarquista. Fale um pouco sobre a música anarquista e a cena hip-hop. Quem eram alguns dos pioneiros e com que têm se impressionado por esses tempos?

DJM: Há e havia quando começamos uma cena punk que toca em idéias anarquistas e se organiza coletiva e autonomamente, aí criaram redes das quais aparentemente nos beneficiamos até hoje, porque os garotos hoje em dia curtem todo tipo de som, não apenas um único tipo.

Temos visto um agudo crescimento de bandas de hip-hop, especialmente na Europa e Amércia Central / do Sul, nos últimos anos… embora, ironicamente, Emcee Lynx of Oakland tenha sido o primeiro rapper anarquista que ouvi por volta de 2000.

Obviamente tem havido um monte de rap de protesto / crítica social ao longo dos anos como Boogie Down Productions, KRS One, Public Enemy, The Coup, Dead Prez, Immortal Technique, mas nenhum de que se pudesse dizer ser especificamente anarquista. A lista na pergunta anterior é a de quem mais nos impressiona neste exato momento.

Mais infos: http://www.entartetekunst.info/

* Entrevista realizada por um membro da AK Press em maio de 2009

Tradução > Matias Romero

agência de notícias anarquistas-ana / Brasil