2.4.09

Subjugados pela Tecnologia

DIVERSIDADE EM TEMPOS DE INCERTEZA

Neste momento, um conflito de paradigmas está a ser encenado em todo o mundo, naturalmente resultando numa peça cujo conteúdo reflecte uma história complexa de causas e efeitos.

Por um lado, o negócio em grande escala promove um crescimento global monocultural, de cima para baixo, baseado no capital e na energia. Por outro lado, observamos a destruição do humano, do tecido social e económico das nossas vidas, tudo em nome de uma economia de casino de avançada tecnologia, numa escala cada vez maior e mais anónima em termos de responsabilidade. A palavra crescimento num contexto deste tipo parece amargamente irónica, tendo em conta a destruição dos ecossistemas e a taxa de extinção registada, que é a mais alta desde o período Devoniano. Ainda mais amargo é o facto da destruição da biodiversidade estar a ser destruída em nome de uma estandardização monocultural. Não é apenas por mera coincidência que estes problemas são acompanhados por uma grande perda de diversidade cultural humana e uma ainda maior dependência em fontes e recursos comuns para satisfazer necessidades materiais e abstractas.

No Ocidente foi-nos vendido um remédio amargo sob a forma de argumentos neodarwinianos que confundiram natureza com cultura. Ainda pior é o facto de termos sido tão eficazes a vender este remédio ao Terceiro Mundo. Acabámos por realmente acreditar que o actual absurdo Behemoth socioeconómico é o resultado de uma tendência evolucionária, que entende os seres humanos como basicamente egoístas, constantemente envolvidos em competição, sobrevivência e guerra. Ao ler os pensadores ocidentais, de Adam Smith a Sigmundo Freud, somos levados a acreditar que estes traços são um produto da nossa natureza.

No entanto, não será possível que estes brilhantes filhos do Ocidente tenham andado a descrever o Homus Industrialis em vez do Homo Sapiens. Confundimos a natureza com a cultura e vendemo-nos a um paradigma mais poderoso do que o Comunismo ou o Capitalismo: estamos subjugados pela Tecnologia.

Ninguém nega que as fomes que assolaram a Índia no último século tenham diminuído muito, em parte devido aos híbridos introduzidos para aumentar a produção. Mas o altruísmo desses anos transformou-se agora numa loucura expansionista. Explorando apenas esta avenida da loucura do século XXI, o agronegócio, ouvimos os apelos à estandardização, expansão, comida para todos, mas a expansão agro-industrial trouxe a devastação; os seus fertilizantes e pesticidas envenenam a terra, a terra marginal cresce exponencialmente, a erosão desenfreada está a levar milhares de anos de desenvolvimento do solo numa única chuvada e uma falange de híbridos monocultural fica mais do que nunca susceptível a pragas. Apesar dos críticos das colheitas geneticamente manipuladas poderem citar a segurança, genes estranhos, reacções alérgicas e a introdução acidental de genes em populações selvagens, o perigo mais real e iminente nesta nossa aldeia global é a perda acelerada de variedades geneticamente únicas, aliado ao patenteamento de sequências genéticas.

Apenas há duzentos anos, os agricultores estavam a melhorar activamente a segurança das suas futuras colheitas e solo ao encorajarem a biodiversidade agrícola. Centenas de milhares de variedades de plantas e animais datam dessa época. São um testamento de gerações de agricultores seleccionando plantas e animais, perfeitamente adaptados às condições locais, ecótopos, habitats, através de uma sinergia entre transferência de nutrientes, protecção e produtividade.

Será que vamos perder esta preciosa diversidade em troca de uma mão cheia de prata? Num esforço de evitar a perda deste capital genético, grupos de horticultores e agricultores preocupados com a situação juntaram-se para proteger a extraordinária riqueza de material genético que é a herança natural de Portugal. Não se trata de um Sebastianismo de Legumes, um questionável conservadorismo lusitano, mas sim de uma corrida racional e pragmática contra o tempo para salvar milhares de variedades e cultivares locais e ibéricas. O que os gigantes agro-industriais não conseguem ver é que a sobrevivência agrícola, ou melhor, a nossa sobrevivência literal, depende da diversidade. Quando o Híbrido RTY354/7 tiver transformado o chão em pó e esvaziado os nossos bolsos, quando a mudança de clima tiver transformado Portugal no Magrebe da Europa, então virar-nos-emos para grupos como a Colher Para Semear à procura das antigas variedades de trigo que conseguem resistir a uma seca no Alentejo, tolerar o sal e, apesar da sua forma diferente e cor estranha, podem alimentar-nos, e alimentar-nos bem.

Columba Moore - Prof. de Biologia. Tradução de Julieta Andrade - Prof. de Língua Portuguesa, ambos em St. Dominic´s School

Saca o Gorgulho…da Colher Para Semear http://gaia.org.pt/print/14828 Contactos Colher Para Semear: Quinta do Olival, Aguda, 3260-044 Figueiró dos Vinhos, colherparasemear@gmail.com


30.3.09

1 de Abril em Évora


A Universidade de Évora é vista como um dos locais apontados para os ensaios de OGM (transgénicos) na sua Herdade da Mitra, pólo da Universidade onde se ministram diversos cursos, pós-graduações e investigações nas áreas da Biologia, Veterinária, Agronomia, etc.

Acção de protesto/sensibilização relativamente a estes ensaios, junto à Reitoria da Universidade no próximo dia 1 de Abril às 14.00 horas.

Recordamos que até ao dia 3 de Abril de 2009 às 24h está aberta a consulta pública relativa ao pedido da empresa Monsanto para ensaios de campo com milho transgénico. Os terrenos em causa ficam em Salvaterra de Magos e Évora. Para mais informações contacte a Plataforma Transgénicos Fora pelo email info@stopogm. net - http://stopogm.net/

29.3.09

Presos em Luta

"No próximo dia 2 de Abril continuará o julgamento das pessoas acusadas pelo suposto motim que ocorreu dentro da prisão de Caxias, em 1996, em portugal.
No seguimento de 2 anos de lutas contra as condições em que estavam detidos, naquele Março de 96, acontece um protesto espontâneo, em que os presos não se deixam fechar nas celas, a não ser que individualmente, como sabiam ser de seu "direito" (nessa época a prática era de 4 ou 5 presos por cela). Após o diálogo com as chefias ter falhado, são erguidas duas barricadas que foram destruídas pelos anti-motim, rapidamente chamados ao local. Nos 3 dias seguintes, todos os presos dessas alas foram severamente espancados, ameaçados, torturados e interrogados.
Agora, 13 anos depois, fora do contexto das lutas daquela altura, o estado português ainda pretende acusar 25 pessoas por danos e motim, pedindo vários anos de prisão e milhares de euros em multas.
(para mais informação consultar www.presosemluta.tk)

Apelamos assim a um dia de solidariedade internacional, com acções coordenadas em vários sítios, contra este processo-farsa, para o dia 2 de Abril, dia em que acontecerá a 2ª sessão do julgamento, no tribunal de Oeiras.

Absolvição para os "25 de Caxias"!
Solidariedade com os rebeldes!
Contra o roubo das nossas vidas,
nem tribunais nem prisões!

10 Horas · CONCENTRAÇÃO INTERNACIONAL
SOLIDARIEDADE COM OS 25 DE CAXIAS.
Junto ao Tribunal de Oeiras (Bairro da Medrosa).
21.30 Horas · VIGÍLIA EM FRENTE AO
ESTABELECIMENTO PRISIONAL DE MONSANTO"
3 de Abril, sexta-feira, 20 h.
Debate Público
Associação KHAPAZ
Rua João Martins Bandeira, 7-A
ARRENTELA – Seixal

28.3.09

concertos... 3, 5, 11 e 18 Abril




25.3.09

Feira do Livro Anarquista em Maio

Queremos ir para além da informação e da opinião.Partindo de diferentes projectos, pretendemos criar um espaço de discussão, reflexão, encontro e confronto de ideias anarquistas, onde cada um destes projectos se possa desenvolver.
Numa tentativa de encontrar e conhecer outros indivíduos e descobrir potenciais cúmplices no que cada um de nós deseja, continuamos (e continuaremos) a dar importância à palavra escrita enquanto ferramenta de comunicação e ataque.

Convidamos quem desejar contribuir neste sentido a participar.

22, 23 e 24 de maio de 09
rua luz soriano 67
bairro alto
lisboa

Para mais informação:
http://feiradolivroanarquista.blogspot.com/

feiradolivroanarquista@gmail.com


A propósito...


A Livraria e editora Letra Livre acaba de publicar, numa pequena tiragem, a obra de pesquisa histórica, «Minha Pátria é o Mundo Inteiro» do historiador brasileiro Alexandre Samis sobre Gregório Nazianzeno Moreira de Queirós e Vasconcelos, mais conhecido por Neno Vasco (1878-1920), um intelectual que actuou nos meios operários em Portugal e no Brasil com particular importância na imprensa sindicalista da época. Apesar da sua morte prematura destacou-se como um dos mais importantes militantes libertários do começo do século XX, sendo autor do livro «A Concepção Anarquista do Sindicalismo». Nascido em Penafiel em finais do século XIX, formou-se em direito na Universidade de Coimbra e viveu no Brasil e em Portugal tendo um importante papel na animação de inúmeros jornais operários sendo uma das principais referências do movimento sindical da Primeira República.


«Minha Pátria é o Mundo Inteiro. Neno Vasco, o Anarquismo e o Sindicalismo Revolucionário em Dois Mundos». Alexandre Samis. Letra Livre, Lisboa, 2009.

26.2.09

Mordamos-lhes os calcanhares!


«A 6 de Dezembro de 2008, em Atenas, Grécia, um agente da autoridade baleou mortalmente um puto de 15 anos. Alegou auto-defesa. A 20 de Dezembro, como resposta ao apelo duma universidade da capital helénica, colocamos, na fachada da CasaViva, o nº. 167 da Praça da Marquês, uma faixa a dizer "o estado criminaliza, a imprensa aponta, a bófia dispara! Hoje Grécia, amanhã...". Alegamos solidariedade erepúdio pela violência policial.
No dia 4 de Janeiro deste ano, à noite, um agente da portuguesa PSP matou, na Amadora, também a tiro, um outro puto, este de 14 anos. Alegou que disparou a dois metros em auto-defesa. A primeira alegação parece ter sido desmentida pelas peritagens e, também por isso, são-nos permitidas sérias dúvidas sobre a credibilidade da segunda, levantadas já, aliás, pelos comentários feitos por quem conhecia a vítima do disparo policial.
No dia seguinte, 5 de Janeiro, pelas 15h00, a mesma PSP, que não os mesmos agentes, retirou a faixa do 167 da Praça do Marquês, no Porto. Alegou que incitava à violência. Talvez tenham julgado que o seu colega da Falagueira, o tal que disparou a matar sobre o tal puto de 14 anos, considerou a faixa como uma inspiração e que, depois de ver o Estado a fazer leis que protegem os privilegiados e que criminalizam a pobreza, depois de ver as televisões a apontarem, não aos que têm de mais, mas aos que nada têm,acabou por ver na faixa a luz que iluminava o caminho a seguir.
Não nos parece. Acreditamos, antes, que, por azar, a faixa acabou por se revelar premonitória e colocou o dedo na ferida. Na Grécia, está, ainda neste momento, a acontecer uma revolta popular que junta estudantes, jovens com contratos e vidas precárias, trabalhadores explorados e cidadãos que, por serem doutro país, são considerados de segunda. Nas ruas, nos locais de trabalho e nas escolas, há milhares de pessoas que dizem Basta! a um sistema que se baseia no dinheiro, no lucro e na propriedade e tentam inventar novas formas de organização que lembrem sempre que, no topo das prioridades, têm que estar as pessoas e o planeta que lhes permite viver. No entanto, os jornais e as tvs, que, não por acaso, são propriedade dos mesmos que a revolta grega contesta, limitaram-se a passar notícias e imagens de motins, remetidas para a prateleira da "violência sem justificação".
Enquanto assim foi, o Estado podia permitir-se respeitar o direito à livre expressão. Até que as coisas descambaram assim que surgiu uma situação em que essa liberdade podia levar alguém a efectivamente pensar e pôr em causa esta merda de mundo em que se diz que todos nascem iguais, quando, na realidade, a maioria vem ao mundo condenada à mais abjecta miséria, para que alguns possam nadar no meio da mais pornográfica opulência.
Os poderosos, nome genérico com que pretendemos representar todos os que são responsáveis e beneficiários da organização económica e social da humanidade, sabem que o seu modelo, ao levar tão longe a exploração, está prestes a atingir um ponto de ruptura. E percebem que, depois de séculos de espezinhamento, uma grande parte da população não é mais do que vapor de água numa panela de pressão. Na tentativa desesperada de conter as águas e manter tudo como está, acham que já não chega manipular as opiniões, através do controlo dos meios de comunicação. É preciso cortar pela raiz qualquer tentativa não institucional de dissidência e resistência.
Este início de 2009, com uma carga repressiva pouco habitual, é sintomático. Para além dos episódios já referidos do assassinato na Falagueira, Amadora, e da censura da faixa na CasaViva, há ainda a acrescentar, pelo menos, mais dois no Porto e um terceiro em Almada.
O primeiro, o julgamento de pessoas envolvidas numa manifestação contra a alteração das carreiras e dos horários dos autocarros da STCP. Quando não se consegue criminalizar o acto de protestar, arranjam-se esquemas para criminalizar as pessoas, alegando-se que a licença para protestar não foi pedida em tempo útil. Demonstrando como, nesta democracia, protestar contra uma decisão da administração da STCP que não tem em conta os utilizadores dos transportes é menos legítimo do que essa própria decisão.
O segundo, a transferência do julgamento de activistas pelos direitos dos migrantes para um tribunal potencialmente mais "duro", fazendo com que a moldura penal possa ir de 2 a 8 anos de cadeia. Isto, lembremos, por terem decidido que foram os actuais arguidos os responsáveis por um panfleto onde se denunciava a atitude racista do então director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do Porto. Demonstrando que, nesta democracia, uma denúncia sobre práticas racistas é menos legítima do que essas próprias práticas.
Por fim, quando alguns almadenses decidiram sair para a rua a exigir que um determinado espaço pedonal fosse efectivamente respeitado como tal, a polícia, sem ter havido qualquer tipo de provocação, começou a carregar indiscriminadamente, ferindo pessoas, ameaçando outras, pondo-as em perigo a todas. Demonstrando, enfim, que, nesta democracia, a polícia se parece muito com a de outros tempos, a polícia é quem mais ordena.
A liberdade de expressão, tal como todas as outras liberdades, só é respeitada desde que não ponha em causa a paz dos poderosos, em que andamos todos a tentar comer-nos uns aos outros para ver quem apanha mais migalhas da refeição dos gajos lá de cima. Nesta altura em que até as migalhas já são poucas, está na hora de lhes mordermos os calcanhares, para que percebam que a refeição não é só deles e é para ser bem dividida de forma a dar para todos. Vão mandar a polícia impedir-te de os ferrares. Insiste! Se se sentirem apertados, pode ser que até te ofereçam da sopa. Mas, ainda assim, não vão querer partilhar o conduto. Há que lutar até que o tomemos! Para todos!
casa-viva.blogspot.com
praça marquês de pombal, 167 porto

19.2.09

Presos em Luta

No Sábado, dia 28 de Fevereiro vai ser apresentada a publicação "Presos em Luta: Agitações nas prisões portuguesas entre 94 e 96".Terá lugar no Centro de Cultura Libertária, pelas 16:00h e contará também com uma conversa sobre o motim de Caxias e o processo contra os 25 acusados, bem como, as lutas nas prisões portuguesas nos anos 90.

A 23 de Março de 1996 ocorreu um “motim” no Forte de Caxias, provocado por interesses de Estado, com o objectivo de acabar com as várias lutas em que os presos estavam empenhados. A revolta transpôs muros e instalou-se no debate público, onde algumas opiniões chegaram a questionar a existência da própria prisão e o seu papel na sociedade. Dos 180 detidos armazenados aos montes e indefesos,-entre o 3º esquerdo e o 3º direito- quase todos sofreram selváticos espancamentos durante vários dias. Dessa prática de terror resultaram múltiplas fracturas e comoções cerebrais, tendo ainda um preso ficado cego de um olho devido a um tiro de bala de borracha dos muitos que foram disparados pelos mercenários do Estado.

O Estado não cumpre a sua própria lei. É sabido que este sempre foi mestre na violação das regras que criou não hesitando em praticar qualquer crime, em interesse próprio, por mais horrendo que seja. No caso dos “presos entre muros”, basta uma simples olhadela pela imprensa de 94 a 96 para verificarmos a escandalosa violação sistemática dos “direitos dos presos”. Greves de fome, greves de trabalho, cartas e comunicados contestando e resistindo a tão cruel realidade, fizeram parte do quotidiano dos detidos a essa época. É neste ambiente que, por ordens superiores Estatais, foi provocada uma reacção espontânea dos presos. Distribuiram-se psicotrópicos fora da “refeição” e o director interino da Direcção Geral dos Servicos Prisionais, em “diálogo” com os presos legítimamente indignados demonstrou o seu total desprezo por eles, seria esta a faísca que iria acender a mecha.

Como é possível que, com total descaramento, treze anos depois, venha o Estado pretender culpar 25 detidos à época, acusando-os em processo judicial de motim, incêndio e danos qualificados?! Alega o Ministerio Público que os presos começaram a organizar-se com lutas de greve de fome e de trabalho duas semanas antes de 23 de Março. Pretendem assim silenciar o contexto de corrupção, de impunidade, e de graves violações à dignidade humana, assim como as lutas de resistência ocorridas nos dois anos anteriores!…

Contra tal “branqueamento” individualidades e diversos colectivos resolveram criar esta publicação, no sentido de relembrar os acontecimentos ocorridos entre 94 e 96 em quase todas as prisões nacionais, manifestar repúdio perante tão absurdo processo judicial, desmontando a farsa da acusação e denunciar a actuação repressiva dos organismos Estatais, que tiveram um papel activo no aumento do terror vivido nas prisões portuguesas nos anos 90- e que ainda hoje tristemente continua- com o assustador e esclarecedor número de mortes, doentes sem o devido tratamento, presos a cumprirem “condenações” perpétuas encapotadas, mantendo esta escandalosa situação num limbo camuflado e invisível.

Governo, Procuradoria Geral da República e DGSP foram e são os responsáveis pelo que ocorreu e continua a ocorrer com total hipocrisia e silêncio no interior das prisões. O que saíu nos media é apenas a ponta do iceberg. A haver um julgamento com as regras do Estado de Direito, deveria ser o Estado a sentar-se no banco dos réus e nunca quem sofreu essa estruturada, premeditada e incomensurável violência. Se as pessoas pudessem integralmente conhecer a realidade do interior das prisões, ainda que por uma hora apenas, certamente se levantariam em peso para repudiar veementemente este “novo holocausto”, como diz o dissidente criminólogo Nils Christie.

Recentemente, na Europa, várias lutas ocorreram e algumas continuam: em Agosto de 2008 cerca de 550 presos estiveram em greve de fome nas prisões alemãs, reivindicando “melhorias” no sistema prisional; em Novembro a quase totalidade da população prisional da Grécia esteve também em greve de fome -acções de informação e solidariedade em relação a esta greve repercutiram-se por toda a Europa-; em Itália, onde existe prisão perpétua, quase todos os presos afectados por essas condenações levam a cabo desde 1 de Dezembro uma jornada de luta; vários presos de Córdoba e de outras partes de Espanha encetaram uma greve de fome em solidariedade com os prisioneiros de Itália reivindicando ao mesmo tempo uma série de reivindicações ao sistema penal e judicial do Estado espanhol; no verão, Amadeu Casellas, prisioneiro na Catalunha (Espanha) esteve 78 dias em greve de fome. Por cá, em Monsanto -um dos Guantanamos do país- vários detidos estiveram, no mês de Outubro, em greve de fome protestando contra as torturas de que são alvo e contra a total impunidade com que actuam os carcereiros desta cadeia.

A luta pela dignidade e pela liberdade jamais poderá ser contida seja em que prisão fôr!

Solidariedade e absolvição para os 25 de Caxias!

PDF Alambiques


8.2.09

Apresentação Alambique

Sábado dia 14 faremos uma apresentação informal da Alambique (2), por volta das 18.30/19.00, no Club Aljustrelense, aproveitando para uma troca de ideias sobre os temas que o mesmo aborda...
Desta vez há nele um grito de "Alentejo, Salvem-nos Porra!!!" recusando o progresso que assola a nossa região. O progresso que em meia dúzia de anos já demonstrou ser capaz de destruir o meio natural e humano de séculos e séculos. Por um lado pela megalomania da agricultura intensiva do Alqueva, como é o olival que vem arrasando as terras; por outro lado a algarvização turística dos recantos alentejanos interiores ou costeiros . Nunca a Máquina esteve tão feroz e nunca os/as alentejanos/as estiveram tão adormecidos pela cómoda perspectiva do lucro imediato que nos compromete a todos/as!!! Disso falamos, tal qual o testemunho final do "Monte do Carvalheiro", uma história exemplar (a vários níveis) de Ferreira do Alentejo.
E porque ninguém pode mais ficar à espera, passámos em revista a importância de perguntar, de que o AnarkoPunk Alentejano demonstrou nestes últimos anos (visto a partir de Aljustrel). De igual modo olhamos à importância de um outro tipo de participação pública nas nossas cidades e vilas... nas nossas ruas. Sem claro, não deixarmos de falar nesse fôlego de fogo anarquista que veio da Grécia.

7.2.09

Dia 14 no Club Aljustrelense

4.2.09

4 Noites 4 Filmes Todas as 5º-Feiras

31.1.09

Já saiu o Alambique 2


editorial:
Alambique, s.m. [do ár. ‘anbiq] –
1. Aparelho próprio para realizar destilações –
2. Fig. Aquilo que serve para apurar ou aprimorar

Passou muito mais tempo do que contávamos a sair com um segundo Alambique. Preferíamos de outro modo, mas talvez valha a pena entender a ausência em causa. Isto porque ainda que o tenhamos dito desde o inicio, o resultado que tem nas mãos, resulta de algo entendido como um Projecto em torno do que apelidámos de Centro de Cultura Anarquista (CCA) Gonçalves Correia. Julgamos porém que nos fizemos ultrapassar por esta designação, ou melhor pelos anseios que a mesma expunha. Ainda que cientes de lidarmos com algo meramente em construção, acabamos por resultar em pouco mais do que uma aglomeração, propulsionada pela existência de actividades programadas num determinado espaço, e não exactamente numa afinidade. Não pretendemos menorizar o que foi sendo feito, e muito menos a presença de um local em Aljustrel (e sobretudo o que este proporciona), mas na verdade por muito mais que tod@s o desejássemos, este espaço nunca se concretizou ele mesmo, e por si, num Centro de Cultura Anarquista. Daí que nos pese por vezes ver semelhante ênfase (essencialmente visto de fora e não de dentro), esquecendo aquilo que esteve sempre na base: um projecto. E como em tantas e outras repetidas situações erradamente pondo o espaço à frente do projecto. Não é nenhum drama, ver que as coisas acabam não sendo aquilo que tanto se fala (ou se espera), pelo que não esperem encontrarem-nos sempre no mesmo sítio do costume. Como Gonçalves Correia gostamos de vaguear…

Porque se ainda aqui estamos, é porque algo, uma dinâmica, mais importante subsiste. Um punhado de indivíduos que se encontra naquilo que outros chamaram de “projectualidade individual anarquista” na qual “para agirmos sobre a vida, ao invés de ela ser algo que nos acontece, precisamos de saber o que desejamos e como tentar alcançá-lo, precisamos de saber quem nos impede de o fazer e quem são os nossos potenciais cúmplices nesta aventura colectiva pela liberdade individual”. Cada um de nós age e toma a iniciativa no desenvolvimento do seu projecto, em possibilidades que se multiplicam quando nos cruzamos.

E apesar, ou por vias, da simplicidade desta equação, que tant@s já evidenciaram no eterno conflito do Individuo e do Estado, é hoje mais do que nunca desconcertante para a autoridade a palavra anarquistas. Entre este Alambique e o anterior, nunca a evidência nos foi tão directamente apresentada quando fomos convidados pela GNR de Aljustrel a “explicar” o que íamos fazer no Festival CCA Gonçalves Correia que aconteceu em Julho passado, sugerindo-se também eles incrédulos com um alerta lá de cima de alguns “leitores” atentos da blogesfera libertária. As inquietações destes democratas eram afinal as mesmas de sempre (há quem ainda pense que cabiam ao passado): do que íamos f-a-l-a-r …não eram os concertos, eram os debates e os workshops que os preocupavam. Atentos às palavras, e receosos, receosos como sempre. Alimentando o medo, como o combustível das nossas vidas.

E do que falámos? Exactamente aquilo que agora podes ler neste número. Nem pôr nem tirar. Leiam. Apenas uma matéria veio de novo, com tamanha força, que jamais deixará as coisas na mesma: Grécia. O mesmo mundo mediterrânico, acossado pelo progresso: destruindo olivais seculares, hipotecando a paisagem ao turista, e tal como nesta outra ponta da Europa, dominado pela repressão e pelo capitalismo. E a luta anti autoritária que aí nunca deixou de existir, de um dia para o outro, estava incontrolável.

Já houve quem dissesse: “não há qualquer dúvida de que uma nova fasquia foi colocada no que se pode esperar nos países Ocidentais durante a vindoura era de depressão económica e de declínio ambiental. Os governos europeus irão sem dúvida reforçar as suas políticas de vigilância e repressão em antecipação às crescentes agitações civis. Mas isso pode não ser suficiente para manter as populações subjugadas à medida que crise atrás de crise ponha em causa a existente combinação do poder e dos privilégios.”
Alentejo, Janeiro 2009

18.1.09

Hoje no Redondo

Neste domingo 18-01 no Centro Cultural do REDONDO às 16h. passa o Filme «LA DIGNIDAD DE LOS NADIES» do director Argentino Fernando Pino Solanas (documentario sobre a crise de argentina 2001), com posterior conversa sobre o mesmo.
E logo no fim Música ao Vivo com a Chacarera/LusoArgenta

12.1.09

OKUPA, RESISTE!


9.1.09

democracias policiais


Casa assaltada, faixas à mostra

Nas democracias policiais, a liberdade de expressão é um direito de todos os cidadãos. Também por isso lhes chamam democracias. Mas esse direito tem limitações, coisa lógica nesta sociedade onde se definiu que “uma liberdade acaba onde começa a do outro”, impedindo-se, assim, que se interpenetrem, que se prolonguem uma na outra. Pensamentos perigosos, que poderão constituir um qualquer crime se tornados públicos, e que, portanto, ficam por aqui. Já basta o que basta, dizia o outro, como sempre, cheio de razão. O que agora interessa, de facto, é que, em primeira instância, quem define as limitações das liberdades, e, por arrasto, as da liberdade de expressão, é a polícia. Também por isso lhes chamamos, a essas democracias, policiais.

Na Casa Viva, logo no primeiro dia oficialmente útil da semana, tivemos mais uma prova de que Portugal se insere dentro desta categoria de democracias. Por volta das 15h00 desse 5 de Janeiro, os Bombeiros Sapadores do Porto, a mando da Polícia de Segurança Pública, também presente, retiraram, assim, sem pedidos nem explicações, a faixa solidária com o movimento grego que a Casa vinha exibindo desde 20 de Dezembro. O motivo da apreensão, tal como informado no respectivo auto, é “incitava à violência, cometendo o crime contra a paz pública”. Não fosse o tal adjectivo que acompanha a nossa democracia e ter-se-ia tratado de um roubo. Afinal, uma faixa não publicitária numa fachada duma casa particular só pode ser retirada se tal for pedido pelo proprietário, o que não aconteceu. Mas o facto é que esse adjectivo está lá por alguma razão e, em estando, o acto de surripiar transforma-se em apreensão, os prevaricadores em sujeitos activos de acusação e as vítimas em réus.

Pode-se olhar para a faixa pelo ângulo que se quiser, mas é precisa muita liberdade de interpretação para nela ver um incentivo à violência. Mas, lá está, essa é apenas mais uma das liberdades das democracias policiais que, como todas as outras, tem uma definição e um âmbito dependentes do livre arbítrio dos agentes da Autoridade, gente que se costuma acusar de ser pouco dada a divagações poéticas, mas a quem não podemos deixar de gabar a capacidade de ler nas entrelinhas ainda mais do que os autores das linhas queriam fazer transparecer.

No processo de roubo/apreensão da faixa, os agentes acharam por bem deter três pessoas que saíam da casa a ver o que se passava do lado de fora do sítio onde lhes tinham oferecido guarida. Estavam, aparentemente, a utilizar de forma ilegal numa casa que não é deles. Mas houve queixa do proprietário? Falamos com ele e ele disse que não devia estar ninguém em casa. Falaram com ele?! Bem... a casa está em ruínas e não pode estar lá gente a viver! A Casa está em ruínas? Quem falou em ruínas? Então porque é que estão detidos? Não houve detenções, só os trouxemos à esquadra para assinarem o auto de apreensão. A uns gajos que não têm nada a ver com a casa nem com a faixa? Mais alguém dá a cara pela faixa? Claro que sim! Então já não estão detidos, podem sair os três e até voltar para a casa em ruínas onde, para além de não poderem estar por causa dessa sua – da casa – condição, não podiam estar por falta de autorização do proprietário.

Ora então cá temos os responsáveis pela faixa. Basta que um assine o auto de roubo/apreensão, que os outros já estão identificados de qualquer forma, apesar de nunca lhes termos controlado legalmente as identidades. Agora a coisa vai para o DIAP e já não é mais nada connosco, que vocês aparecem aqui aos magotes e a malta quer ver o discurso do Sócrates sem medo de que nos ocupem esta merda, perdão sr. ministro, esta esquadra, tão lindamente baptizada como sendo do Paraíso, apesar de, para tal, ainda faltarem os canais da Sport Tv, vá lá que nos resta a TVI e as novelas com gajas boas. Depois, daqui a 6 meses, 1 ano, ou dois, o DIAP lá decidirá se a queixa da PSP é válida e, se não for, a faixa será devolvida. No entretanto, a gente fica sem a faixa de que o agente não gostou e assim mesmo é que é numa democracia policial.

Ora, é provável que o DIAP considere que a faixa, de facto, mais do que um apelo à violência, é um grito contra a sua utilização por quem lhe detém o monopólio e que, como tal, o seu roubo/apreensão até pode, pelo menos em teoria, configurar um atropelo à liberdade de expressão. Pouco interessa. Não será por isso que a Casa será deixada em paz. Há a questão da ocupação ilegal. Ah, é verdade... o proprietário autoriza a ocupação do espaço. Mas há a questão das drogas. A questão das drogas? Sim, a casa está conotada com drogas. Conotada por quem? Pela polícia. Mas entraram lá ilegalmente para ver essa questão? Nem pensar... mas cheira muito a charro no passeio quando se passa por perto. O quê? É verdade... e, ainda por cima, entra lá gente com mau aspecto! Isso não é discriminação? A polícia não discrimina... limita-se a ver se determinada pessoa tem determinado aspecto e, se o tiver, fica imediatamente associada ao consumo de drogas. E isso não é discriminação? Não desconversem... é que há a questão da propriedade! Ah, é verdade... o proprietário autoriza a ocupação do espaço. Pois é... então, há a questão das drogas. E sabem quem vai sofrer com isso se não tomam cuidados?


Os processos de intimidação à divergência apertam-se. Espera-se que o medo de qualquer coisa, independentemente do que seja, impeça as pessoas de se manifestarem, de exporem opiniões, de se levantarem perante as injustiças dos poderosos. Depois de visitas policiais à Casa em dias de reuniões, depois de visitas regulares ao blog, veio o roubo/apreensão da faixa, um processo-crime sobre “os responsáveis pela faixa”, o reconhecimento policial de que já estamos todos fichados e as ameaças de que, ou atinamos, ou nos fecham a Casa e nos mandam de saco, por causa da questão da propriedade, aliás, por causa das drogas, aliás por qualquer coisa que lhes apeteça.

O problema é que achamos que nós é que somos os atinados e não nos apetece, agora que os desvarios juvenis já passaram na sua maioria, desatinar e começar a comer tudo o que nos dão ou a baixar a cueca cada vez que nos tentam violentar. Para além de que a Casa, assim sem uma faixa, parece despida. E nós não queremos um processo-crime por atentado ao pudor.

4.1.09

Dia 10 Conversa sobre a Insurreição Grega


Dia 10, Sábado pelas 21.00, em Aljustrel haverá lugar para uma troca de ideias e conversa informal em torno dos acontecimentos insurrectos da Grécia.

«Que a revolta se alastre...


Da greve geral ao movimento dos estudantes, com os liceus fechados e as faculdades ocupadas, da greve dos presos aos motins de rua, a Grécia tornou-se o palco, de alguns meses para cá, de uma sublevação social sem precedentes desde a queda da ditadura.


Em Outubro, uma série de greves paralisaram o país, às quais se somaram mais de 150 liceus encerrados pelos estudantes. Ainda no passado mês de Novembro, deu-se uma greve de fome, sem precedentes, que envolveu mais de 7 000 pres@s. Estas lutas ultrapassaram as meras reivindicações corporativas, sendo acompanhadas de inúmeras acções directas e de movimentos contra a miséria imposta pelo Estado e pelo Capital.


No passado dia 6 de Dezembro, a morte de um jovem de 15 anos, Alexis Grigoropoulos, às mãos da polícia grega, serviu de catalisador para uma vaga de contestação social que se tem vindo a alastrar por todo o território grego. Sucederam-se as ocupações de universidades, escolas, câmaras municipais e sindicatos burocráticos, com a realização de assembleias e apelos à generalização da luta autónoma, sem mediação de organismos políticos e burocráticos. Nas ruas tiveram lugar manifestações e ataques contra os aparelhos repressivos do Estado (esquadras de polícia, tribunais, etc.) e do Capital (bancos, grandes empresas).


Por todo o mundo, multiplicam-se as acções de solidariedade. Para dia 20 de Dezembro foi convocada, pela Assembleia do Politécnico de Atenas, uma jornada de solidariedade com a revolta grega e de denúncia da repressão estatal contra os insurgentes.


Solidarizamo-nos com @s companheir@s em luta na Grécia, pois a sua luta também é a nossa: pela acção directa, contra um quotidiano de miséria e contra tudo o que nos oprime, para que assumamos a nossa própria vida de forma autónoma!


Pelo menos temporariamente, libertamos um espaço da sua condição de não-lugar, desafiando o valor sacrossanto da propriedade privada, porque as nossas vidas valem mais do que as leis e a economia.»


(um comunicado distribuído em Lisboa na Manifestação que aí teve lugar no dia 20.12)

10.12.08

G R É C I A !!!

http://redelibertaria.blogspot.com/
[Nas barricadas, nas ocupações da universidade, nas manifestações e nas assembleias mantemos viva a memória de Alexandros, mas também a memória de Michalis Kaltezas e de todos os companheiros que foram assassinados pelo Estado, fortalecendo a luta por um mundo sem amos e escravos, sem polícia, sem exércitos, sem cadeias e sem fronteiras.]"
« No sábado, 6 de dezembro de 2008, Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos de idade, companheiro, foi assassinado a sangue frio, com uma bala no peito por um polícia na zona de Exarchia. Contrariamente às declarações dos políticos e jornalistas, que são cúmplices dos assassinatos, isto não foi um "incidente isolado", mas uma explosão da repressão estatal que, sistematicamente, e, de maneira organizada, aponta aqueles que resistem, os que se rebelam, os anarquistas e antiautoritários. É o pico do terrorismo de Estado, que se expressa com a evolução da função dos mecanismos repressivos, seu armamento ininterrupto, o aumento dos níveis de violência que utilizam; com a doutrina da "tolerância zero"; com a calúnia da propaganda dos meios de comunicação, que penaliza os que lutam contra a autoridade. São estas condições que preparam o caminho para a intensificação da repressão, tratando de extrair o consentimento social de antemão, e eles cobram as armas dos assassinos de Estado de uniforme!A violência mortal estatal contra o povo na vida social e à luta de classes têm por objetivo a submissão de todo mundo, actuando como castigo exemplar, destinado a difundir o medo. É parte do grande ataque do Estado e da patronal contra toda a sociedade, com o fim de impor as mais duras condições de exploração e opressão, para consolidar o controle e a repressão. Da escola às universidades, às cadeias com a escravidão, às centenas de trabalhadores mortos nos chamados "acidentes de trabalhos, e a pobreza que atinge um grande número da população... Desde os campos de minas nas fronteiras, os programas e os assassinatos dos imigrantes e dos refugiados, aos numerosos "suicídios" nas cadeias e delegacias de polícia... dos "tiroteios acidentais" da polícia nos bloqueios à violenta repressão das resistências locais, a democracia está mostrando os seus dentes! Desde o primeiro momento depois do assassinato de Alexandros, manifestações espontâneas e distúrbios explodiram no centro de Atenas, o Politécnico, o Conselho Econômico e as Escolas de Direito estão ocupadas e os ataques contra o Estado e objetivos capitalistas acontecem em diferentes bairros e no centro da cidade. As manifestações, os ataques e os enfrentamentos surgem em Salónica, Patras, Volos, Chania e Heraklion, em Creta, em Giannena, Komotini e muitas outras cidades. Em Atenas, na rua Patission -fora da Politécnica e da Faculdade de Economia- os embates duraram toda a noite. Na saída da Politécnica, a polícia de choque utilizou balas de plástico. Domingo, 7 de dezembro, milhares de pessoas marcharam em direção ao quartel geral da polícia em Atenas, atacando a polícia antidistúrbio. Enfrentamentos de uma tensão sem precedentes explodiram nas ruas do centro da cidade, durando até o começo da madrugada. Há muitos manifestantes feridos e numerosos detidos. Mantemos a ocupação da Escola Politécnica que começou na noite de sábado, criando um espaço para todas as pessoas que lutam para avançar e um dos focos de resistência de caráter permanente da cidade. Nas barricadas, nas ocupações da universidade, nas manifestações e nas assembleias mantemos viva a memória de Alexandros, mas também a memória de Michalis Kaltezas e de todos os companheiros que foram assassinados pelo Estado, fortalecendo a luta por um mundo sem amos e escravos, sem polícia, sem exércitos, sem cadeias e sem fronteiras. As balas dos assassinos uniformizados, as detenções e surras nos manifestantes, o gás químico arremessado pelas forças da ordem, só não podem impor o medo e o silêncio, mas, também, que são convertidos para que as pessoas tenham razão para lutar contra o terrorismo de Estado e encarar a luta pela liberdade, para abandonar o medo e para encontrar-nos -cada vez mais a cada dia - nas ruas da revolta. Deixamos que flua a fúria e os afoguemos! O terrorismo de Estado não passará! Libertação imediata de todas as pessoas presas nos acontecimentos de sábado e domingo (7 e 8 de dezembro)! Enviamos a nossa solidariedade a todas as pessoas que ocupam as universidades, as que se manifestam e lutam contra o terrorismo de Estado em todo o país!
Assembleia de Ocupantes da Universidade Politécnica de Atenas»

2.12.08

Minas de Aljustrel #2