4.12.09

Solidariedade com os detidos de 25 Abril 2007


"A 25 de Abril de 2007 teve lugar em Lisboa uma manifestação anti-autoritária contra o fascismo e o capitalismo. Perto de 500 pessoas participaram num percurso por uma das zonas mais ricas da cidade, ao longo do qual foi atirada tinta contra lojas, bancos e uma carrinha do corpo de intervenção, e onde paredes foram pintadas com algumas frases. A este descaramento os guardas da paz democrática responderam com uma carga policial e espancamentos contra manifestantes e todos os outros que ali passavam. Desta carga e de algumas perseguições hollywoodescas pela baixa da cidade resultaram 11 detidos, acusados entre outras coisas de injúrias e agressões contra agentes da autoridade. A 7 de Dezembro de 2009 começa o julgamento no Campus de Justiça de Lisboa.

Sabemos que o que está em causa é mais do que algumas montras danificadas e agentes ofendidos. É a tentativa de agarrar a totalidade da vida e de usarmos todas as ferramentas que quisermos na luta contra uma ordem social que consome e destrói os indivíduos, as nossas relações e o mundo que habitamos. É por esta ordem democrática não poder tolerar tudo o que ainda resta de bonito e selvagem que ao longo dos últimos anos vimos e sentimos a crescente criminalização nos media, e perseguição pelas forças da repressão, de muitas acções e actividades diárias, nossas e de outros.

Nesta luta pela libertação das nossas vidas, sabemos quem são os nossos companheiros e quem são os nossos inimigos, e vamos descobrindo todos os outros com quem nos podemos encontrar na alegria da revolta. A solidariedade com os acusados não se limita àquele tribunal nem às datas fixas por outros: ela deve alargar-se e fazer parte de uma luta que não tem como ponto de referência os passos dados pela repressão, mas os passos que nós na nossa rebelião quisermos dar.

A tentativa de nos fazer parar pelo medo, de nos isolar ou de nos fazer mudar o nosso discurso pode ter apenas como resultado um ataque sem piedade a um poder que não tem fronteiras."

Alguns anarquistas de Lisboa

Fonte Indymedia

Libertários vão a julgamento em Portugal

[No próximo dia 7 de dezembro vai começar o julgamento dos detidos na manifestação anti-autoritária de 25 de abril de 2007, em Lisboa. Alguns dos condenados, 11 no total, enfrentam acusações que podem levar a penas de seis meses a cinco anos de prisão por terem participado numa manifestação que sofreu uma carga policial sem qualquer ordem de dispersão.]

"Que acusações são essas? Resumindo: Agressão à polícia.

O curioso é quem ficou ferido, para variar – neste sapal à beira-mar sedimentado –, foram os manifestantes – as imagens dessa manifestação que circulam pela net e o testemunho de quem lá esteve podem comprová-lo.

Mas não é isso que interessa. Somos Anarquistas!

O que importa aqui não é a atuação da polícia, pois para quem luta pela liberdade o que está em causa é a existência da própria polícia. Nem tão pouco é a liberdade de manifestação, pois a liberdade individual é a essência do Eu, jamais poderá ser legislada e, como tal, o que está em causa é a existência do Estado – esse indiscutivelmente autoritário na sua essência.

É, também, como anarquistas que sabemos que o Estado pode pôr diversas máscaras, da mais estalinista à farsa democrática. E que nesta sua, do Estado, roupagem de farsa democrática, quando não se contesta da forma que ele próprio define, mostra a sua essência repressora e lança os seus cães contra quem o ataca.

Enquanto houver Estado haverá repressão. Haveremos sempre, sempre lutar contra ela – e contra ele – com todas as nossas armas e seremos sempre solidários com quem o fizer de modo semelhante.

Identificando a manifestação que deu origem a este processo como uma ação que vai ao encontro dos nossos métodos, queremos afirmar a nossa solidariedade para com os condenados e apelar a todos, que se identificarem com tal, a não deixarem que o processo se resolva no circo, que é o tribunal, mas nas ruas. Em todo lado e de qualquer forma, vamos incendiá-las, quer figurativa quer literalmente. Vamos sair e dar-lhes trabalho!

Ainda que com happy end, quando o processo cessar nós não.

O Fogo Vingador "

Fonte Indymedia /ANA

2.12.09

Contra o despejo do Centro de Cultura Libertária

Concerto Benefit para o CCL (Centro de Cultura Libertária) de Cacilhas, Almada!
para ajudar nos custos legais contra o seu despejo pela especulação imobiliária!!

Dia 5 de Dezembro, Sabado, na kylakankra em Setubal/Palmela...la pas 21h pq sao bue de bandas, a entrada é o que quiseres contribuir para ajudar os custos de advogados..preconceitos de lado, mijar no meio do mato nunca fez mal a ninguem! apareçam que ninguem vos morde..a maior parte do pessoal até é vegeta mesmo!

Centro de Cultura Libertária Blog: http://culturalibertaria.blogspot.com
E-mail: ateneu2000@yahoo.com Endereço postal: Apartado 40 / 2800-801 Almada (Portugal)
Sede: Rua Cândido do Reis, 121, 1º Dto - Cacilhas - Almada

Contra o despejo do Centro de Cultura Libertária:

RESISTÊNCIA E SOLIDARIEDADE!

O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos em Cacilhas, encontra-se ameaçado de despejo pelo proprietário. Após sentença do Tribunal de Almada, emitida no dia 2 de Novembro de 2009, foram dados 20 dias ao CCL para abandonar as suas instalações. O Centro de Cultura Libertária recorreu desta decisão do Tribunal, no passado dia 19 de Novembro, suspendendo a ordem de despejo.

Agora, aguarda-se a decisão do Tribunal sobre o recurso, que pode anular a decisão de despejo, levar a um novo julgamento ou reiterar a sentença já emitida. Não se pode prever qual será a decisão ou quanto tempo esta levará a ser tomada. Sabemos apenas que, caso o recurso seja recusado, teremos dez dias apenas para abandonar o espaço do CCL

O Centro de Cultura Libertária vive momentos de absoluta incerteza quanto ao seu futuro. Mas uma coisa é certa: faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para dar continuidade ao CCL e para manter o espaço que este ocupa há 35 anos. Para tal precisamos da solidariedade de todxs xs que se revêem no CCL.

Para já o apoio monetário continua a ser muito importante, já que suportamos custos muito elevados para uma associação que vive apenas das contribuições dos seus associados e simpatizantes. O recurso custou-nos 2.000 euros em honorários do advogado e mais 75 euros da “taxa de justiça”. Em caso de perda do recurso, poderemos ter de pagar as custas judiciais. A salvaguarda do espólio do CCL, em caso de despejo, dará certamente lugar a novas despesas.

A motivação do proprietário do prédio é clara: despejar uma associação que paga uma renda mensal baixa (51 euros) e cujo contrato só pode ser rescindido através de uma acção de despejo, abrindo assim o caminho à rentabilização do espaço.

O papel do tribunal também é claro: defender o interesse dos proprietários e a propriedade privada, alicerces essenciais deste sistema baseado na desigualdade e na exploração.

Actualmente, o CCL é um dos raros locais anarquistas que se mantém em Portugal, único pela sua longevidade e pelo papel de preservação da memória histórica libertária que desempenha, mas também pela ligação afectiva que gerou em várias gerações de anarquistas, que nele encontraram um espaço de aprendizagem, de experimentação e divulgação das suas ideias.

O Centro de Cultura Libertária encarregar-se-á de agir a nível local, procurando a todo o momento, divulgar e estimular a revolta contra uma situação da qual não somos os únicos alvos. Encorajamos todas as formas de solidariedade dxs companheirxs que desejem potenciar a nossa luta noutros lugares.

Saúde e Anarquia!

30.11.09

Indymedia de volta!


Indymedia Portugal relançado, 10 anos depois do início do Indymedia Global!

A rede Indymedia nasceu no calor da revolta de Seattle, como uma dimensão fundamental do movimento global. Um movimento que ultrapassa as tricas separadoras dominantes da acção política tradicional (reformismo/revolução, local/global, violência/não violência) e inventa respostas práticas para lhes esquivar, desde os Fóruns Sociais, como forma organizativa que tenta superar o canibalismo político, até à 'desobediência civil protegida', como original prática de rua.

Seattle foi apenas a primeira face visível e a Organização Mundial de Comércio (OMC) tão só o pretexto para o que, há muito, se vinha a cozinhar, a necessidade de acordar a malta, de ser suficientemente confrontacional para trazer para a arena pública a voz duma oposição global ao sistema capitalista (e não apenas à OMC) que, pelo que se lia nos jornais e se via nas TVs, não existia.

Há dez anos, no dia 30 de Novembro de 1999, centenas de milhares de pessoas em todo o mundo trouxeram para as ruas a sua insatisfação. Em Seattle, mas também no Porto, em Lisboa, em Londres, em Berlim, na Índia ou na Nova Zelândia. Gente que acreditava que era preciso desmascarar o mundo para o qual se caía e se continua a cair. Com acções mais ou menos espectaculares, a resposta à globalização tornava-se definitivamente global. Festas, flyers, cartazes, ocupações, acções de protesto ou sabotagem, manifestações, palestras, debates, tudo serve e tudo serviu para avisar as pessoas e fazer com que solidariedade fosse mais do que uma palavra com sete sílabas, um redondo vocábulo.

O CMI Portugal é, como todos os centros de media independentes, um centro de informação livre e independente, que cumpre os requisitos para fazer parte da rede IMC e concorda com os princípios de filiação à rede. Funciona para que as pessoas possam tornar-se elas mesmas meios de informação livres e independentes.

Como tal, pretendemos realizar uma acção directa informativa, deixando de confiar aos meios de comunicação corporativos a tarefa de intermediar em exclusivo os acontecimentos e a sua interpretação. Convertemo-nos assim em fonte geradora de um discurso livre da manipulação de governos e corporações, e assumimos o nosso papel como artífices e zeladores dos canais que nos permitem transmitir e difundir uma outra visão da realidade.

O CMI Portugal pretende, assim, pôr em prática todos os mecanismos da imaginação que nos permitam, em conjunto, criar, aqui e agora, fragmentos de um mundo melhor. O desafio é, portanto, grande. Mas acreditamos que um colectivo de pessoas empenhadas em construir algo em conjunto conseguirá fazê-lo, enquanto esse empenho se mantiver, ultrapassando as várias barreiras que forem surgindo. Pretende-se, portanto, com este texto, não apenas a apresentação de uma nova forma de mostrar o que nos move, mas, acima de tudo, lançar um apelo para todos os que, como nós, acreditam que a realização voluntária, colectiva e horizontal de um meio de informação é, ao mesmo tempo, uma machadada nos paradigmas actuais e uma experiência de trabalho num mundo já transformado. Um apelo para que se juntem a esse mundo, para que se povoe de gente e, portanto, de novas possibilidades de ser melhor.

Reactivamos assim o CMI Portugal, para que tenhamos nós também uma voz alternativa aos grandes meios de comunicação deste país.

Estás preparado para escrever a tua notícia?

Ajuda-nos a construir este mundo melhor!

ligação aí na coluna do lado...

12.11.09

14 de Nov. Sabado


ABOVE THE TREE (Itália)
http://www.myspace.com/bluerevenge1
dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS (lisboa)
http://www.myspace.com/duassemicolcheiasinvertidas

8.11.09

Urgente! CCL


O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos, está a ser ameaçado de despejo por parte do proprietário.

O CCL é um ateneu cultural anarquista fundado em 1974 por velhos militantes libertários que resistiram à ditadura, ocupando desde então o espaço arrendado no número 121 da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. Tem sido um espaço fundamental para o anarquismo em Portugal acolhendo sucessivas gerações de anarquistas e libertários. O Centro possui uma biblioteca e um arquivo únicos em Portugal, com material anarquista editado ao longo dos últimos cem anos, assim como uma distribuidora de cultura libertária. Durante a sua existência, o Centro acolheu várias actividades, tais como debates, passagens de vídeo ou diversos ateliers. Diferentes publicações aqui se editaram, como a Voz Anarquista nos anos 70, a Antítese nos anos 80, o Boletim de Informações Anarquista nos anos 90 e o Húmus, mais recentemente.

Em Janeiro de 2009, foi instaurada por parte do proprietário do edifício uma acção de despejo contra o Centro. Esta acção foi contestada por vias legais, o que deu lugar a um julgamento que decorreu entre Setembro e Outubro. No dia 2 de Novembro, foi emitida a sentença que resultou na resolução do contrato de arrendamento, tendo sido dados 20 dias ao Centro para abandonar as suas instalações.

O Centro vai recorrer desta decisão. Nesta nova fase é preciso suportar custos que dizem respeito ao recurso e aos honorários do advogado. Até à data ainda não sabemos exactamente a quantia necessária mas, pelo que averiguámos, será necessário reunir umas largas centenas de euros.

O contexto que deu origem a este caso não diz respeito apenas ao Centro de Cultura Libertária, mas a todos aqueles que se vêm a braços com a falta de escrúpulos dos senhorios e restantes especuladores imobiliários. É importante relembrar que, ainda que este processo tenha sido iniciado sob alegações do ruído excessivo produzido pelos frequentadores do Centro, estão em causa outros interesses, nomeadamente o do senhorio em rentabilizar o espaço, alugando-o por um preço bastante mais elevado do que o praticado agora.

O desaparecimento deste Centro significaria a perda de um importante espaço de reflexão, debate, luta e resistência.

À semelhança dos/as companheiros/as que lutaram para que este espaço existisse, resistiremos uma vez mais, e NÃO perderemos o CCL nem às mãos dos tribunais, nem da especulação imobiliária nem por nada.

Continuaremos a lutar para que este espaço continue!

Toda a solidariedade e apoio que possam dar força à resistência do CCL é da máxima importância e urgência.

Saúde e Anarquia!!!

Centro de Cultura Libertária

07.11.09

ateneu2000@yahoo.com

Apartado 40

2800-801 Almada – Portugal

http://culturalibertaria.blogspot

6.11.09

Radio Casa Viva



aos sábados, a partir das 17hrs "sintoniza-nos" em radiocasaviva.blogspot.come como a rádio é feita por tod@s nós,vimos por este meio informar-te que podes tornar-te parte dela:- grava (não precisa de ser nenhuma gravação xpto, basta haver um micro) a agenda de actividades do teu colectivo, as conversas que por aí se passam, a poesia que curtias divulgar, a música que fazes ou curtes escutar, as ideias que te passam pla cabeça, tudo aquilo que te apetecer e envia-nos (em mp3) pararadiocasaviva@gmail.com(á falta de melhor... manda-nos um mail, que o divulgaremos no programa de sabado. embora seja sempre da nossa preferencia que seja feito por ti mesm@... gostamos de ouvir as nossas vozes)porque a informação independente somos nós que a fazemos!participa e divulga!

23.10.09

Concerto Sábado


Concerto do Club http://www.myspace.com/innersightmetal

9.10.09



Setúbal este fim-de-semana...

Sábado 10/10

15:00h: Conversa/Debate sobre Solidariedade Revolucionária a partir de um texto ("discussão sobre solidariedade revolucionária")
20:00h: Jantar “Bela Vida” [Traz comida e bebida]

Domingo 11/10
a partir das 15:00h: Churrascada, música e cinema na rua.
Antes com saída ás 11h na Pça do Bocage. II Passeio pela Memória Histórica Anarquista de Setúbal (texto):

"Porque houve tempos em que a nossa terra não ia em cantigas eleitorais, porque houve alturas em que as nossas gentes sabiam que a polícia não era parte da solução mas sim do problema e porque sabemos que esses tempos não foram assim tão distantes, queremos relembrar e celebrar a Velha Setúbal, aquela que ainda hoje se opõe aos planos dos "grandes" e "poderosos", que resiste à "Nova Setúbal" dos Tróia Resorts, e Vales da Rosa.

Este passeio tem como objectivo relembrar as origens da cidade de Setúbal e algumas das histórias e processos de organização e lutas travadas pelas suas gentes. Esta experiência realizada pela primeira vez no ano de 2007, acontece uma vez mais durante as celebrações do aniversário da C.O.S.A e com a colaboração do companheiro Paulo Guimarães. Mais do que uma exaustiva apresentação do tema, propomo-nos a relembrar o pulsar anti-autoritário das veias Sadinas querendo estimular a curiosidade e a pesquisa daquela história que não é escrita pelos "vencedores".

Para lá dos bairrismos e localismos, para lá do nacionalismo populista que fala do povo e da sua cultura com sangue nas mãos, para lá de tudo isto está a partilha e o conhecimento de uma memória histórica rica em cultura que nos une enquanto indivíduos e comunidades, não debaixo de qualquer bandeira, fronteira ou grupo; mas sobre as ideias de Liberdade Autonomia e Solidariedade, partilhando espaços terras ou cidades.

Anarquistas das terras do Sado."

Casa Okupada de Setúbal Autogestionada Rua Latino Coelho nº2, Bairro Salgado, Setúbal (junto à estação dos autocarros)

25 de Abril 2007 .... 7 Dezembro 2009


Este texto pretende relembrar a carga policial que aconteceu na manifestação Anti Fascista e Anti Capitalista no dia 25 de Abril de 2007 e apelar à solidariedade contra a farsa judicial montada em torno das onze pessoas que vão a julgamento dia 7 de Dezembro

No dia 25 de Abril de 2007 decorreu uma manifestação Antiautoritária contra o Fascismo e o Capitalismo em Lisboa que reuniu aproximadamente 500 pessoas. Tendo iniciado na Praça da Figueira em ambiente contestatário, mas festivo e sem incidentes, várias pessoas aderiram à manifestação ao longo do percurso Rossio, Rua do Carmo, Rua Garrett até ao Largo de Camões.

Após um breve período em que a manifestação permaneceu no largo Camões, esta continuou espontaneamente pela Rua Garrett em direcção ao Rossio. A presença constante da polícia durante a trajectória fez com que o clima entre as partes fosse de tensão. A meio da Rua do Carmo, duas hordas de elementos do corpo de intervenção da PSP e polícias à paisana encurralaram os manifestantes na rua fechando as saídas e, sem qualquer ordem ou aviso de dispersão, começaram a agredir brutal e indiscriminadamente manifestantes, transeuntes e até mesmo turistas.

A polícia não tentou dispersar ninguém, pelo contrário, quis bater, espancar e atacar os manifestantes. Pessoas que caíram no chão indefesas foram ainda agredidas por vários polícias à bastonada e ao pontapé. Houve perseguições por parte da polícia, levadas a cabo de forma bastante agressiva, no local onde decorria a manifestação e por toda a Baixa de Lisboa. Foram detidas onze pessoas e foi impossível contabilizar todos os feridos entre manifestantes e pessoas alheias ao protesto. Aos manifestantes juntaram-se, no fundo da rua do Carmo, vários transeuntes e lojistas contra a brutalidade policial.

Com o apoio dos media, as forças policiais criminalizaram o protesto, procurando encontrar legitimidade para a sua acção repressiva que é um tipo de conduta permanente por parte do Estado, como podem comprovar, a título de exemplo, os habitantes de bairros sociais. Assim sendo, a detenção dos onze manifestantes surge como modo de justificar mais uma carga policial.

Para além da detenção, estes manifestantes ficaram ainda sujeitos à medida de termo de identidade e residência, tendo sido acusados de agressão, injúria agravada e desobediência civil, acusações estas que, na verdade, caracterizam a actuação policial. Querem convencer-nos que o mundo é o inverso daquilo que realmente acontece, uma vez que as únicas agressões à polícia foram em legítima defesa, postura à qual não se deve renunciar.

No próximo dia 7 de Dezembro vai ser o julgamento dos onze acusados nas novas instalações judiciais localizadas no Parque das Nações/Oriente.

Apelamos à solidariedade em relação a esta situação em particular, enquadrada num contexto de exploração e opressão quotidiana que não deixaremos de combater.

alguns envolvidos no processo.

1.10.09

URGENTE! Solidários com António Ferreira de Jesus

António Ferreira de Jesus, de 68 anos, preso há 15 anos, encontra-se actualmente em Pinheiro da Cruz e viu uma vez mais, a liberdade condicional a ser-lhe negada em Julho deste ano.

Dia 28 de Setembro a direcção do E.P. quis transferir o companheiro para uma cela nova, numa ala recentemente reconstruída- essas "reformas" implicam que não haja direito a um candeeiro de leitura ou que, por exemplo, os duches não tenham divisórias, o que obriga a que os presos tenham de tomar banho em conjunto.

O António recusou-se à mudança com base nestas condições. Face a esta recusa, a direcção e os guardas decidiram que o levariam à força, não para a cela prevista, mas para o pavilhão de segurança (chamado de "big brother", num regime de separação total dos outros reclusos, ao abrigo do artigo 111).

Perante isto o António entrou em greve de silêncio, de sede e de fome.

No entanto, os responsáveis da cadeia não reconhecem estas greves porque o companheiro não preencheu o impresso que existe para oficializar o protesto (!)

Não sabemos em que situação ele se encontra, nem que acompanhamento está a ter.

Sabemos quem está por detrás desta situação: a direcção do E.P., a Direcção Geral dos Serviços Prisionais e outros organismos do Estado português.

É urgente pressioná-los, da maneira que achares mais eficaz!


A solidariedade é uma arma!

Pela destruição das prisões e de quem as constrói!


Contactos das entidades responsáveis:
Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
7570-784 CARVALHAL - GRÂNDOLA (PORTUGAL)
Telefone: (00351) 265 490 620
Fax: (00351) 265 497 078
Correio Electrónico: eppcruz@dgsp.mj.pt

Direcção-Geral dos Serviços Prisionais:
Travessa da Cruz do Torel, nº1 1150-122 Lisboa (PORTUGAL)
Telefone: (00351) 218 812 200
Fax: (00351) 218 853 653
Correio electrónico: dirgeral@dgsp.mj.pt

Provedoria de Justiça
provedor@provedor-jus.pt
Morada: Rua Pau de Bandeira, 9
1249-088 LISBOA
PORTUGAL
Telefone: (+351)213926600/19/21/22
Linha Azul: (+351)808200084
Fax: (+351)213961243

Inspecção Geral dos Serviços de Justiça
correioIGSJ@igsj.mj.pt
Fax: (00351) 213223666

Ministério da Justiça
ministro@mj.gov.pt
Fax: (00351) 213468031

Se optares por enviar cartas ou faxes, aqui vai um modelo de texto

António Ferreira de Jesus, de 68 anos de idade, com mais de 45 anos de prisão cumpridos, actualmente no E. P. de Pinheiro da Cruz, continua a sofrer ameaças de morte por parte de alguns guardas prisionais, conforme declarações suas efectuadas no Tribunal de Grândola há cerca de um ano.
Apesar de reúnir todos os requisitos para a Liberdade Condicional, esta continua a ser-lhe negada.
A última vez que foi proposto para a Liberdade Condicional, foi-lhe prometido que o parecer do concelho técnico lhe seria favorável. Posteriormente, verificou-se que o parecer foi desfavorável por unanimidade.
Criar falsas expectativas na mente de um recluso, sobretudo um preso com mais de 45 anos de prisão cumpridos, é equivalente a induzi-lo ao suicídio.
A última decisão do indeferimento à Liberdade Condicional é a reprodução exacta do primeiro indeferimento, no qual, pidescamente, faz referência às convicções políticas do recluso como indicador negativo do seu processo de “reinserção” social.
E para cúmulo, na noite de 28 do presente mês, António Ferreira de Jesus, por se recusar a mudar para uma Ala que viola os seus direitos (a nova Ala tem condições de “vida” incompatíveis com os critérios da jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem), foi submetido ao castigo do regime 111º, ou seja, separado de toda a população prisional, uma prisão dentro de outra prisão, onde os presos sofrem todo o tipo de humilhações e são fortemente induzidos ao suicídio; e onde vários já apareceram suspeitosamente mortos.
António Ferreira de Jesus encontra-se, desde a noite de 28 do presente mês, em greve de sede, greve de fome e em greve de silêncio, em protesto contra a feroz perseguição de que continua a ser alvo.
Não aceitamos que a vergonhosa estatística de mortandade do vosso extermínio aumente com o eventual cadáver do António Ferreira de Jesus.
Fazemos responsáveis a directora do E. P. de Pinheiro da Cruz, A Direcção Geral dos Serviços Prisionais e a quem mais de direito, de todas as consequências advindas da greve de sede, da greve de fome e da greve de silêncio em que o António Ferreira de Jesus se encontra.
Protestamos veementemente contra a perseguição que o António Ferreira de Jesus está a ser alvo por defender a sua dignidade e exigir o cumprimento dos seus direitos.
Exigimos já o fim à perseguição ao António Ferreira de Jesus e a sua imediata transferência para Coimbra ou Izeda, conforme a sua pretensão.

SOLIDÁRIOS/AS COM TODOS/AS OS/AS PRESOS/AS QUE LUTAM PELA DEFESA DA SUA DIGNIDADE!

23.9.09

Próximo Sábado no Club (sexta em setúbal)


2.9.09

Quinta 10 em Aljustrel... 11 em Setúbal


30.8.09

Dia 19 de Setembro conversa (17h) e concerto (22h)


Concertos 17, 18, 19 e 20 Set 2009, Casa Viva, Killakancra, Club Aljustrense, C.S. Mouraria
(- Squat Meet * CALL-OUT DAYS OF ACTION 2009 -)

Lost Gorbachevs Anarco-Satanic Jazz (Porto, Portugal)
Trashbaile Punk Rural dos anos 80 (Porto, Portugal)
Siervos de Nadie Punk (Gondomar, Galiza)

Se há bandas como nós, é porque há espaços como este, onde a arte pode fluir livremente, sem preocupações de rentabilização. [...]

Se há espírito crítico no mundo, é porque há espaços como este, com as pessoas que os animam e frequentam a não quererem ser meros espectadores passivos da exploração da grande maioria dos seres humanos e da destruição de todo o planeta.

Se há esperança de que tudo ainda é possível, é porque há espaços como este em que a lógica dominante se subverte, o objectivo do lucro desaparece, a autoridade se suicida, a propriedade se torna pública e a competição é substituída pela camaradagem e a cooperação.

E se há coisa de que os poderosos têm medo é de espaços como este, onde germinam e se reproduzem sementes de revolta e liberdade, treinos práticos dum mundo já transformado.

É por tudo isto que, respondendo ao apelo para um Squat Meet 09 (http://squatmeet09.wordpress.com), não podemos deixar de demonstrar todo o nosso carinho, respeito e apoio a todos os squats e espaços autónomos.

===Datas dos Concertos===
17 Set 2009 18:00 Casa Viva Porto, Portugal
18 Set 2009 22:00 Killakancra Setúbal, Portugal
19 Set 2009 22:00 Club Aljustrense Aljustrel, Portugal
20 Set 2009 18:00 C.S. Mouraria Lisboa, Portugal

17.8.09

Sábado dia 29 é em Ferreira...


Sábado dia 29, neste final de Agosto, podemos encontrar-nos desta feita em Ferreira do Alentejo junto à Fonte Nova (na estrada para Ervidel).

Uma Feira da Troca que procura recuperar o espirito do Trocal, que tal como em Messejana há dois anos atrás, acontecia "porque tens demasiadas coisas... e talvez o teu vizinho precise... Para diminuir o lixo... Para gastar menos dinheiro em lojas... (e perceber que nem tudo se ganha só com dinheiro)..."

Vem para a troca, traz comezaina para o picnic e fica para a conversa e para a música de Can't Sing For Shit....

11.7.09

Sábado dia 18 Conversa


A Precariedade. Conversa em torno da realidade local.

Actualmente, cerca de 40% dos trabalhadores portugueses são precários. Recibos-verde, contratados a prazo, inscritos em empresas de trabalho temporário, desempregados. Todos eles trabalham, inclusive aqueles que têm o trabalho de ter de arranjar trabalho. Todos eles são particularmente explorados.

O aumento da precariedade laboral tende a ser legitimada por todo um novo discurso ideológico em torno da questão do trabalho. Entre os múltiplos conceitos desta novilíngua laboral, destacamos o de capital humano. Para o capitalismo, o trabalhador constitui essencialmente um capital que se apresenta numa forma humana. Por um lado, são as suas capacidades de criação e imaginação que alimentam a máquina de produção: algo que é visível no profissional de marketing que inventa slogans publicitários, no trabalhador do telemarketing que usa as suas capacidades de sedução e retórica para vender um qualquer produto, no pedinte que produz uma determinada narrativa de forma a obter esmola. Algo que sempre existiu, mas que tende cada vez mais a ser potencializado, não para o nosso próprio bem, mas para o bem de uns poucos.

Por outro lado, capital. Porque, tal como uma acção da bolsa de valores, tem um valor de mercado, atribuído consoante as suas características: se for inteligente e comunicativo terá um valor elevado, se for feio e tímido terá um valor não tão elevado. À semelhança das acções da bolsa, o seu valor sofre alterações: assim, se o trabalhador feio e tímido se tornar comunicativo e bonito, se demonstrar capacidade de se alterar com base nos critérios da empresa, o seu valor de mercado aumentará. Na era do capital humano, o trabalhador é apresentado como sendo o único responsável pela sua própria situação. Se ganha mal, é porque não se esforça; se se queixa de tal situação, é porque não é pró-activo (outros dos novos conceitos em voga); se se sente cansado, é porque poderia ser mais dinâmico. Em suma, é porque não se capitaliza a si mesmo, algo que passa por servir os responsáveis pela definição dos ditames da sua capitalização.

Esta estratégia acontece a uma escala planetária. No caso da região alentejana, a população trabalhadora apresenta um “valor específico”: vive numa região fustigada pelo desemprego e encontra-se disposta a fazer tudo por tudo para conseguir rendimento. Se actualmente, muitos call centers se deslocalizam para zonas do interior (Beja, Castelo Branco) onde as taxas de desemprego são mais elevadas, é porque sabem que vão encontrar pessoas com poucas alternativas de escolha.

O objectivo desta conversa é tentar compreender os contornos deste processo, tendo como princípio a ideia de que o verdadeiro valor das pessoas nunca passou, não passa e jamais passará pelo trabalho que são obrigadas a desempenhar.

Próxima Quinta-feira dia 16


(Jantar) e conversa
"F.A.I. - Federação Anarquista Ibérica. A sua história, presente e futuro"
por volta das 21.00 no Club Aljustrelense

www.nodo50.org/fai-ifa/

Documentários em Montemor-o-Novo

« A 1ª Mostra Documental de Montemor-o-Novo pretende afirmar-se como uma plataforma de projecção e debate consciencioso feito a partir do documento Cinematográfico. Nesta primeira mostra convergem diferentes pontos de vista sobre o mundo, a partir de um leque diversificado de filmes que atravessam um período situado entre os anos 60 e a actualidade.

Um olhar exterior sobre a nossa cultura a partir de documentários como "Luta de Classes em Portugal" de Kramer realizador que dedicou parte da sua obra ao estudo da sociedade Portuguesa ou "Torre Bela" de Thomas Harlen sobre a ocupação da Herdade da Torre Bela no Ribatejo através de um acutilante olhar político sobre uma época, uma utopia e as suas contradições. Paralelamente a esta visão exterior sobre cultura Portuguesa uma outra de dentro para fora. Um olhar de realizadores Portugueses sobre o mundo onde se inclui um olhar profundo sobre Portugal, feito a partir de filmes como "Bab Sebta" de Frederico Lobo e Pedro Pinho, "Nhô Simplício" de Pedro Conceição, "Outside" de Sérgio Cruz, “Gosto de ti como és” e “Queria Ser” de Silvia Firmino, “Um Pouco Mais que o Indiana” de Daniel Blaufuks ou "Jumate Jumate" de Diogo Costa Amarante entre muitos outros...

“Uma câmara na mão, uma ideia na cabeça, uma história no coração"
Miguel littin »

http://www.montemordoc.com/

PROGRAMA

Quinta Feira (16 Julho):
21:00- Jumate Jumate | 35m
21:45- Os Respigadores e a Respigadora | 82m
23:15- Grandes Esperanças | 74m

Sexta Feira (17 Julho):
15:00- Queria Ser | 55m
16:00- Mulheres Traídas | 54m
17:00- Um pouco mais Pequeno que o Indiana | 78 m

17:30horas-Os Conceitos de Documentário, relativização e contexto histórico:
1º Painel
Documentarismo, sua história, tendências recentes.
O contexto português. O cinema documentário de vocação etnográfica e a sua ligação com a representação da cultura popular de matriz rural e a identidade nacional.
Cinematografia e Etnologia, o caso da Etno-ficção.
Orador: Catarina Alves Costa

19:00- Wolfram, a saliva do lobo | 45m
21:30-Mais Alma /Catarina Alves Costa – 70m
22:30-Orquestra Típica Fernandes Ferro | Parque Urbano (Programação em parceria com a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo)
00:00- Festa Oficinas do Convento com DJ Ride

Sábado (18 Julho):

15:00 - Torre Bela | 105m
17:00 - Cenas de luta de classes em Portugal | 90m

18:30 horas-REFLEXÕES SOBRE PORTUGAL. UMA VISÃO PROCESSUAL:
2º PAINEL
Contextos sócio-políticos do país no período situado entre os anos 60 e a actualidade.
Reflexos de um país em mudança.
Imagens de um país: o documentário etnográfico como reflexo de políticas e mudanças.
ORADOR: Maria Clara Saraiva

21:30 - Bab Sebta | 110 m
23: 30- Nhô Simplício | 68m
00:45 – Polar | Performance

Domingo (19 Julho):
15:00-Resultado do Workshop com Frederico Lobo e Tiago Afonso.
15:30-Cinema Volante Apresenta (resultado de workshop)
16:00-Traces Sonores d'une écoute engagée | 55m
17:00 -80000 Shots | 50m

18:45-MOVIMENTAÇÕES NA ESTRUTURA SOCIAL E ESPACIAL
3ºPAINEL
A cidade contestada: movimentos sociais e reestruturação do espaço urbano.
Experiência urbana e Bairros populares.
Relação entre as transformações sociais e os modos de concepção e elaboração do espaço.
ORADOR:Teresa Fradique

Noite:
21:30 -Gosto de Ti como És | 57m
22:30 Outside | 15m
23:00- Balaou | 77 m


Algumas escolhas....
"Grandes Esperanças" de Miguel Marques , produção Cine-Clube de Avanca.
Entrar nos meandros da burocracia é uma aventura q.b. cómica.
Grandes Esperanças dá-nos uma visão de conjunto e quase trágica dos processos de legitimação do indivíduo perante o Estado, mostrando como toda a nossa existência depende, do nascimento à morte, da Instituição que organiza a vida em sociedade e que aqui aparece na sua dimensão abstracta e coerciva.
E só lhe vemos a ponta do icebergue. (video 3)

"Torre Bela" de Thomas Harlan
No dia 23 de Abril de 1975, cinco semanas depois do golpe de 11 de Março e dois dias antes do aniversário da revolução 500 desempregados da região de Manique, no Ribatejo (ex-trabalhadores agrícolas, antigos imigrados que voltaram ao país, reincidentes, bêbedos, prisioneiros políticos libertados), juntam-se num movimento campesino e ocupam as quatro propriedades de Dom Manuel de Bragança, o Duque de Lafões. (videos 1 e 2)

"Cenas de luta de classes em Portugal"de Robert Kramer
Kramer foi um revolucionário americano que dedicou parte da sua vida a Portugal. O seu “Cenas de Luta de Classes em Portugal” (em conjunto com outro autor) é um dos marcos na filmografia sobre o PREC em Portugal. Acompanhando a evolução política do PREC em Portugal, o documentário só peca por falar apenas na esquerda em geral, optando por não evocar as inúmeras divergências de então.
Abarcando algumas das mais importantes movimentações em Portugal no período, especialmente no espaço urbano. Regista a questão do direito à habitação ou a questão dos tribunais populares em que as pessoas não se subjugavam à justiça dos fortes. O especial destaque vai para uma mulher, envelhecida pela vida dura que sempre teve, que o maior desejo era que os seus filhos não passassem pelas mesmas agruras. Kramer acompanha-a ao longo do PREC. No início, a militância, o entusiasmo e a esperança leva-a a muitas actividades para lutar pelos seus direitos. À medida que a correlação de forças se vai invertendo e as pressões para a normalização se acentuam, a esperança vai desvanecendo e é forçada a preocupar-se com as questões “práticas” da vida.
Kramer ficou inevitavelmente ligado a Portugal. No documentário “Um outro país” de Serge Treffaut, presta algumas das declarações mais comprometidas com as aspirações do PREC. Refere que então Portugal aparece na sucessão de uma série de países onde as atenções mundiais estavam viradas: Vietname, Chile, Portugal. Justifica a sua vinda pela revolução em acção e pelo desejo de participar nessa mudança. Acrescenta ainda que o a sua participação tem (diria eu naturalmente) bastante de egoísta por não querer viver num mundo como este: ele queria mudar o mundo também por ele. Perante a acusação que no período 1974-75 o país desbaratou as “riquezas acumuladas”, Kramer considera que, para um pais que se reinventava tentando concretizar sonhos novos e antigos, terá sido uma boa forma de gastar o dinheiro. Reflecte também sobre o consumismo que apodreceu a sociedade norte-americana, sendo interessante também questionarmos o que também tem feito com Portugal. »

6.7.09

Sexta dia 10 no Club


Dia 8 no Porto - Casa Viva

Dia 9 em Setúbal - KÿlaKancra

Dia 10 em Aljustrel - Club Aljustrelense

collectifmaryread.free.fr
www.myspace.com/lescreationsducrane
www.masquepalabras.org/collectifmaryread
www.entartetekunst.info
www.myspace.com/entartetekunstlabel

4.7.09

4 Noites 4 Filmes todas as 5º feiras... e Jantares


1.7.09

entrevista a Drowning Dog e DJ Malatesta

Uma Entrevista Com Entartete Kunst

Para muitos na cena radical da Bay Area, a partida de Entartete Kunst no final deste mês marcará a passagem de uma era. Para mim certamente.

EK é um selo anarquista de gestão colectiva que lançou e co-editou 20 discos e CDs nos últimos dez anos. Eles começaram produzindo peças e batidas predominantemente electrónicas, mas mais recentemente têm incorporado mais rap no seu repertório. Conheci Marco e Melissa (e outros da EK) pela primeira vez pouco depois de começar um programa de voluntariado com a AK Press (quase uma década atrás). Seu trabalho árduo, apoio generoso e gestos camaradas não vêm sendo suficientemente celebrados ao longo dos anos. Desejamos a eles o melhor. Se você estiver na Europa este verão, não deixe de pegar as datas da Tour deles [ALJUSTREL dia 10; SETUBAL dia 9 e PORTO dia 8].

Fale sobre o seu single mais recente, Mix Tapes and Cotton. Sobre o que é a faixa?

Drowning Dog:Mix Tapes and Cotton” é uma canção sobre racismo através dos olhos de uma criança. Quando eu era menino (na Flórida), a Ku Klux Klan incendiou uma cruz em nosso quintal, esfaqueou nosso cachorro e costumavam nos infernizar. Por isso é uma história pessoal. Ela diz que somos capazes de lidar com o racismo e o sexismo juntos como uma classe e que são as instituições — governos e corporações — que nos empurram isso, essa é a questão real. É uma canção sobre os trabalhadores pobres sem acesso à educação, mas com ilimitado acesso à lavagem cerebral podem canalizar sua raiva para atos estúpidos como queimar cruzes e falar aquele monte de merda e como nós (também trabalhadores pobres) podemos lidar com gente ignorante juntos. Mas quando as instituições (classe média e alta) usam ideais racistas e criam políticas que desumanizam e destroem vidas ou têm dinheiro e poder por trás dessas idéias aí fode tudo, fica perigoso, mortal (por exemplo, complexos industriais de prisão, militares, habitação, poluição, saúde etc.). É meio isso que diz.

Que acontece com a Entartete Kunst por esses tempos? Pode nos contar uma breve história da EK e o que estão tramando atualmente?

DJ Malatesta: Nós [Drowning Dog e Malatesta] estamos para começar uma excursão com umas trintas datas pela Europa Ocidental (a turnê Crunch The Creditors 2009), graças ao movimento anarquista e ao nosso trabalho duro pelos anos excursionando / construindo a solidariedade com umas pessoas / grupos / galeras etc. muito legais. E temos, como você mencionou um novo sete polegadas saindo agora, disponível pela AK Press e outras como NatterJack Press, London Class War, Les Creations Du Crane, Irregular Rhythm Asylum, e muitas outras.

Comecei esse grupo junto com dois amigos que não tiveram experiência nenhuma com anarquismo. Lançamos uma compilação de peças e batidas eletrônicas que tinha uns tons políticos, e ele passaram a criar vários outros projetos. Nesse ponto, comecei a trabalhar com muitos artistas e produtores DIY (faça-você-mesmo), principalmente na Bay Area, editando e compilando vinil e CDs e lançando-os sob o selo “Entartete Kunst” — tipicamente bandas, mas projetos solo também. Breaks, poesia, batidas doidas, ruído etc.

O nome “entartete kunst” significa “arte degenerada” em alemão. Tomamos o nome de uma exposição homônima usada pelo governo alemão dos anos 30 para tentar ridicularizar a arte radical. Usamos o nome porque somos conscientes que somos considerados degenerados por nossos chefes… de todos os tipos: políticos, financeiros, sociais.

Marcamos pelo menos sessenta shows na Bay Area durante aquele período para muitas bandas (incluindo nós mesmos) e fizemos uns vinte lançamentos desde 1999 — todos inteiramente financiados dos poucos dólares que sobravam nos contracheques de várias pessoas e dinheiro de drogas (risos), ocasionalmente pagando por um lançamento com o dinheiro de um anterior.

Não nos tornamos um coletivo até 2003. Por esse tempo, tínhamos muita certeza de que isso seria uma ferramenta de propaganda. Por um tempo, éramos em quatro fazendo todo o trabalho, depois em três. Sugeri que coletivizássemos. Passamos depois a organizar nossa primeira excursão européia (2003) e lançar o vinil 2 x 12 polegadas e o CD States Of Abuse (2004/5).

Nesse exato momento, são Drowning Dog e Malatesta (claro que isso pode mudar). Nós tocamos, gravamos, escrevemos e produzimos juntos. Lançamos nosso CD de estréia Got No Time CD (2007/8) e Mix Tapes and Cotton 7” (2009) juntos, e estamos planejando uma porção de lançamentos para a E.K. Inc.: um sete polegadas, johnny NO cash 7”, um lançamento em vinil e download de compositores de rap, multilingual, inspirado pelo ideário comunista-libertário e anarquista para 2010, e um novo lançamento de Drowning Dog assim como incontáveis outras colaborações e remixes.

DD: Got No Time é o CD de estréia do Drowning Dog!

O CD fala sobre como não temos tempo para as coisas realmente importantes na vida. Passamos a maior parte do tempo no trabalho, trabalhando pra caralho, tornando os outros ricos. E geralmente produzindo coisas que ninguém quer / precisa em nossa sociedade — muitos, muitos poucos de nós realmente poderão realizar plenamente seu potencial.

Por isso, Got No Time é na verdade um chamado para a eliminação de todos esses trabalhos de merda de que realmente não precisamos em nossa sociedade. Estou pronto para um dia de quatro horas numa semana de três dias (pra começar, porra).

E sobre o futuro? Vocês estão se mudando dos Estados Unidos e se radicando na Europa. Por quê?

DJM: O movimento é forte lá em comparação com o que rola por aqui, e com mais consciência de classe. Queremos trabalhar com muitas pessoas; infelizmente, tem um punhado só de grupos que se identificam com o que a gente faz ou mostram apoio à nossas políticas ou à nossa música. Mas há alguns… incluindo AK Press e Red Emmas.

As pessoas tomam menos antidepressivs na Europa… assim é melhor para contra-atracar.

DD: Pela pizza.

Entartete Kunst, e vocês como indivíduos é há algum tempo, parte do movimento anarquista na Bay Area. Pode nos falar um pouco sobre as coisas nas quais vocês têm estado envolvidos e que mudanças viram na Bay Area nos últimos anos?

DJM: Eu, por exemplo, tenho estado na maioria dos encontros anarquistas na Bay Area pelos últimos dez anos e, se tanto, eu o vi crescer (período do 9/11) e depois encolher (nos últimos dois anos), pelo menos no sentido do interesse do grande público. Há muitas razões pelas quais isso pode ter acontecido, mas pra ser bem honesto, acho que as pessoas que são as mais vocais na Bay Area são da classe errada e, portanto mantém as idéias firmes no seio de sua própria cultura. É o que eu penso. De um lado positivo, há alguns grupos que são meio que conscientes disso e começaram seus próprios grupos de trabalhadores, salvo engano — como o Modesto Anarchist Crew.

Vocês fizeram algumas excursões pela Europa agora e foram expostos a vários movimentos anarquistas no processo. Pode comparar e situar os contrastes de suas experiências com os anarquistas aqui e lá?

DJM: Se você é um anarquista comprometido, você é um anarquista comprometido. Eles lá têm circunstâncias diferentes: a mentalidade na Europa é muito mais comunista (num sentido anti-estatista) do que aqui e isso é importante, eu acho… embora não seja um nem o outro. Temos de ter consciência de que todos estamos conectados e que não podemos sobreviver sozinhos.

DD: Comparar e situar os contrastes, bom… Europa é diferente, nem melhor nem pior, mas diferente, tem um contexto diferente, lugar diferente, leis, história diferente. Sempre use o que tiver, quando puder, com o que se tem, onde estiver.

Podemos ir a esses espaços na Europa — centros sociais, squats, espaços de arte — na primeira leva de excursões me pareceu doido que aqueles espaços existissem: “Vocês têm centros sociais financiados pelo governo?!”

E a idéia de que você pode ocupar um lugar por anos e NÃO ter seus miolos estourados. Interessante pra caralho, não bem como a cultura / leis de propriedade americanas. Certo, nós podemos ocupar lugares nos States, mas não é o mesmo. É na maior parte em locações indesejáveis, fora do centro da cidade, aquela bosta de centro e geralmente não dura muito, não tem muito apoio da comunidade.

Infelizmente, se é que há, não há muito dinheiro colocado na cultura. A maior parte do dinheiro nos Estados Unidos vai para os militares e para a polícia. Financiar espaços para fomentar pensamento crítico ou questionamento criativo não está na lista de prioridades deles. Eles só precisam de mãos baratas para limpar a bosta deles. Educar pessoas e culturizar pessoas (acho que inventei essa palavra) pode causar problemas. Não pense. Cale a boca. Limpe a bosta. Ganhe dinheiro pra nós.

Isso não bem parte da pergunta que você fez, mas uma coisa eu acho importante e legal e é que é muito bom interligar todos os grupos que conhecemos nas viagens com outros que de outro modo jamais saberiam de sua existência. Porque vamos para países diferentes, somos capazes de conhecer tanta gente, galeras, grupos radicais, anarquistas legais. É tão importante que saibamos da existência uns dos outros porque sabe, tá ruim lá fora, sabe o que e quero dizer? Precisamos uns dos outros.

Que hip-hop vocês estão escutando atualmente?

DD: Collectif Mary Read, La K Bine, Comrade Malone, Mentenguerra, Microplatform, La Plataforma, The Edger, Beast, Keny Arcana, Kurzer Prozess, Direct Raption, Cuba Cabbal, Acero, Arapiata, Gente Strana Posse.

Quando a maioria das pessoas pensa em hip-hop eles certamente o associam com a política anarquista. Fale um pouco sobre a música anarquista e a cena hip-hop. Quem eram alguns dos pioneiros e com que têm se impressionado por esses tempos?

DJM: Há e havia quando começamos uma cena punk que toca em idéias anarquistas e se organiza coletiva e autonomamente, aí criaram redes das quais aparentemente nos beneficiamos até hoje, porque os garotos hoje em dia curtem todo tipo de som, não apenas um único tipo.

Temos visto um agudo crescimento de bandas de hip-hop, especialmente na Europa e Amércia Central / do Sul, nos últimos anos… embora, ironicamente, Emcee Lynx of Oakland tenha sido o primeiro rapper anarquista que ouvi por volta de 2000.

Obviamente tem havido um monte de rap de protesto / crítica social ao longo dos anos como Boogie Down Productions, KRS One, Public Enemy, The Coup, Dead Prez, Immortal Technique, mas nenhum de que se pudesse dizer ser especificamente anarquista. A lista na pergunta anterior é a de quem mais nos impressiona neste exato momento.

Mais infos: http://www.entartetekunst.info/

* Entrevista realizada por um membro da AK Press em maio de 2009

Tradução > Matias Romero

agência de notícias anarquistas-ana / Brasil

24.6.09

Este Sábado pelas 17.30

Conversas informais... este sábado:
A proposta para uma troca de ideias é em torno de "grupos de afinidade, lutas intermédias e insurreição", numa proposta da publicação "Saltar para o Desconhecido" e a partir da qual convidamos a tod@s a aparecer e a dar o seu contributo.

cartaz das próximas actividades

14.6.09

Próximo Sábado dia 20

Pelas 17.30 no próximo Sábado em Aljustrel (no dia antes em Sintra) conversa acerca do processo do chamado "Motim de Caxias": a história de um julgamento farsa a decorrer actualmente e que anda em torno das lutas nas prisões nos anos noventa em Portugal e
as lutas contra as prisões em geral.
Depois de Jantar, projecção de Documentário sobre as recentes revoltas nas Prisões Gregas. Aparece!

13.6.09

8.6.09

Conversas informais... Junho e Julho


20 de Junho (Sábado)
17.30 Conversas informais... "Acerca do Motim de Caxias.
A história em curso de uma farsa e a luta contra as prisões"
Jantar vegetariano
22.00 Projecção do documentário "Revolta nas Prisões Gregas"

27 de Junho (Sábado)
17.30 Conversas informais... sobre
"Grupos de afinidade, lutas intermédias e insurreição"
Jantar vegetariano

03 de Julho (Sexta)*
22.00 Passagem no Museu de Aljustrel do documentário
"Bab Sebta" seguido de conversa com os realizadores
* (iniciativa C.M. Aljustrel)

17 de Julho (Sábado)
17.30 Conversas informais...
"A precaridade. Conversa em torno da realidade local"
Jantar vegetariano

As actividades do projecto CCA acontecem no Club Aljustrelense e antecipadamente
será feita divulgação individual com resumo das propostas.

4.6.09

Setúbal 19 Junho

1.6.09

Cinema e Jantares Vegetarianos às Quintas-Feiras






Dia 4 "De Tanto Bater O Meu Coração Parou" de Jacques Audiard
Dia 11 "Os Edukadores" de Hans Weingartner
Dia 18 "Brisa de Mudança" de Ken Loach
Dia 25 "Terra e Liberdade" de Ken Loach

Filmes e Jantares Vegetarianos!!



25.5.09

17.5.09

Próximo fim-de-semana



Começa já sexta-feira em Lisboa a II Feira do Livro Anarquista (no Bairro Alto, ver mapa, chegando lá pelo metro Baixa/chiado, electrico 28 ou Bus 790) Espaço de encontro e de troca de ideias, um oportunidade para amplo material de leitura agitada trazida por diversos colectivos, grupos e individuos anarquistas sem fronteiras. Clica na imagem para veres o programa previsto. Das 14 à OO. horas (haverá ainda Cinema e Anarquia e mostra de cartazes...).
O Alambique / CCA Gonçalves Correia lá estará.
Até lá!

22, 23 e 24 de maio rua luz soriano 67 bairro alto lisboa
http://feiradolivroanarquista.blogspot.com/ (link no cartaz ao lado)

30.4.09

Sexta no Club 22h



25.4.09

Terça 28 no Club Aljustrelense




http://www.youtube.com/watch?v=Naojewe_c4M
http://www.myspace.com/fuzzorchestra

23.4.09

"O 1º de Maio evoca aqueles que morreram na luta contra o capital. Desta forma, nunca poderá ser uma celebração. Por outro lado, em circunstância alguma se deverá homenagear uma das suas formas de escravatura: o trabalho ou o estatuto de trabalhador nos moldes de uma sociedade capitalista e autoritária.

A nossa luta é directa e global, contra todxs xs que nos exploram e oprimem, contra o patrão no nosso local de trabalho, contra o bófia no nosso bairro, contra a lavagem cerebral na nossa escola, contra as mercadorias com que nos iludem e escravizam, contra os tribunais e as prisões imprescindíveis para manter
a propriedade e a ordem social.


Não nos revemos no simulacro de luta praticado pelxs esquerdistas, ancoradxs nos seus partidos, sindicatos e movimentos supostamente autónomos. Estes apenas aspiram a conquistar um andar de luxo no edifício fundado sobre a opressão e a exploração, contribuindo para dar novo rosto à miséria que nos é imposta.

Recusamos qualquer tentativa de renovação do capitalismo, engendrada nas cimeiras dos poderosos ou na oposição cínica posta em cena pelos fóruns dos seus falsos críticos. Não tenhamos ilusões. Não existe capitalismo “honesto”, “humano” ou “verde”. A “crise” com que nos alimentam até à náusea não é nenhuma novidade. A precaridade não é só um fenómeno da actualidade, existe desde que a exploração das nossas vidas se tornou necessária à sobrevivência deste sistema hierárquico e mercantil.

Porque queremos um mundo sem amos nem escravos, apelamos à resistência e ao ataque anticapitalista e anti-autoritário.
E saímos à rua."


http://www.redelibertaria.blogspot.com/